Cura inovadora: curativo biológico a partir da pele de tilápia


Universidade Federal do Ceará licencia técnica para produção de curativo que promete acelerar a cicatrização

Cura inovadora: curativo biológico a partir da pele de tilápia
Consórcio poderá desenvolver, produzir e comercializar um curativo biológico derivado da tecnologia da pele liofilizada de tilápia para o tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais. Foto: Viktor Braga/Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará licencia tecnologia para curativo a partir da pele de tilápia, visando tratamento de queimaduras e feridas.

Universidade Federal do Ceará inova com curativo biológico

A Universidade Federal do Ceará (UFC) anunciou um avanço significativo na medicina regenerativa ao assinar um contrato com o consórcio Biotec’s, que inclui a Biotec Solução Ambiental Indústria e Comércio e a Biotec Controle Ambiental. Esse consórcio está agora licenciado para desenvolver um curativo biológico a partir da pele de tilápia liofilizada, uma tecnologia que pode revolucionar o tratamento de queimaduras e feridas tanto em humanos quanto em animais. O anúncio foi feito no dia 10 de novembro.

Tecnologia promissora para tratamento de feridas

A pele de tilápia, após passar por um processo de liofilização, torna-se um material eficaz como curativo oclusivo e temporário, que tem a capacidade de acelerar a cicatrização. Essa inovação é especialmente relevante em um contexto onde a busca por alternativas sustentáveis e biocompatíveis para tratamentos médicos é cada vez mais importante. O curativo biológico foi desenvolvido a partir de pesquisas que tiveram início em 2015, conduzidas pelos médicos Edmar Maciel Lima Júnior e Marcelo José Borges de Miranda, em colaboração com a UFC.

Processo e regulamentação da produção

Com o licenciamento da tecnologia, o consórcio Biotec’s assume a responsabilidade de financiar e executar todo o processo de desenvolvimento e industrialização do curativo. De acordo com o contrato, serão necessários estudos de eficácia, testes clínicos de alergenicidade e sensibilidade, além da obtenção das aprovações necessárias da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para sua utilização em humanos e animais. O cronograma prevê um prazo máximo de cinco anos para a comercialização do curativo destinado a humanos e três anos para uso veterinário.

Aspectos financeiros e direitos de propriedade

O consórcio deverá pagar um valor inicial de R$ 850 mil pela licença da tecnologia, além de repassar 3,7% da receita líquida obtida com a comercialização ao longo da vigência do contrato, que é de 14 anos. Esses recursos serão distribuídos entre os licenciantes, incluindo a UFC e os médicos responsáveis pela pesquisa. Importante ressaltar que a UFC poderá continuar suas investigações sobre a pele de tilápia, tendo inaugurado recentemente um Laboratório de Pesquisa dedicado a esse tema.

Futuro da pesquisa e desenvolvimento

O contrato também prevê normas para a terceirização de atividades e o que acontece em casos de descumprimento de obrigações. Além disso, se novas descobertas resultarem em ativos intelectuais, todos os envolvidos poderão figurar como cotitulares dos direitos. Por outro lado, se forem realizadas melhorias na tecnologia já licenciada, os direitos permanecerão com a UFC e os demais licenciantes.

Essa iniciativa não apenas oferece uma nova esperança para o tratamento de feridas, mas também demonstra como a pesquisa acadêmica pode se traduzir em aplicações práticas que beneficiam a sociedade. O uso da pele de tilápia como curativo biológico é um exemplo claro de inovação que pode impactar significativamente a saúde pública.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Viktor Braga/Universidade Federal do Ceará


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