A Organização Mundial da Saúde destaca aumento significativo na resistência de gonorreia a medicamentos essenciais entre 2022 e 2024

A OMS alerta sobre o aumento da resistência da gonorreia a antibióticos, com dados preocupantes de diversos países.
Crescimento da resistência da gonorreia a antibióticos é alarmante
A resistência da gonorreia a antibióticos está crescendo de forma preocupante, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS) em relatório divulgado na quarta-feira, 19 de outubro. Entre 2022 e 2024, a resistência a medicamentos como ceftriaxona e cefixima aumentou significativamente, de 0,8% para 5% e de 1,7% para 11%, respectivamente. Esses dados são oriundos do Programa Ampliado de Vigilância Antimicrobiana da Gonorreia (EGASP).
Principais países afetados pela resistência
O relatório destaca que Camboja e Vietnã registraram as maiores taxas de resistência, indicando uma grave crise de saúde pública. A resistência à azitromicina, outro antibiótico comumente utilizado, permaneceu estável em 4%. A divulgação desses dados foi feita em meio à Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Antimicrobiana, uma iniciativa da OMS para aumentar a conscientização sobre as infecções resistentes a medicamentos.
Dados do EGASP e seu impacto
O EGASP, que monitora a resistência medicamentosa desde 2015, coleta dados laboratoriais e clínicos de diversos países. Em 2024, foram recebidos dados de 12 nações, incluindo Brasil, Camboja, Índia, e África do Sul, resultando em um total de 3.615 casos de gonorreia reportados. Esse aumento no número de países participantes indica um maior comprometimento em controlar as ISTs, embora ainda haja lacunas significativas nos dados, especialmente sobre mulheres e infecções em locais não genitais.
Distribuição geográfica dos casos
Mais da metade dos casos sintomáticos em homens (52%) ocorreu na região do Pacífico Ocidental, com destaque para Filipinas (28%), Vietnã (12%), Camboja (9%) e Indonésia (3%). A região Africana segue com 28% dos casos, enquanto o Sudeste Asiático apresenta 13%. No Brasil, apenas 2% dos casos foram registrados, mostrando a necessidade de mais atenção às ISTs no país.
Necessidade de investimento em vigilância
A OMS ressalta que o EGASP enfrenta desafios financeiros e a necessidade de relatórios mais completos. Em comunicado, Tereza Kasaeva, diretora do departamento de HIV, Tuberculose, Hepatite e ISTs da OMS, destacou a urgência de um investimento imediato em sistemas nacionais de vigilância. “Este esforço global é essencial para rastrear, prevenir e responder à gonorreia resistente a medicamentos e para proteger a saúde pública em todo o mundo”, afirmou.
Chamado à ação global
A OMS faz um apelo a todos os países para que abordem os níveis crescentes de ISTs e integrem a vigilância da gonorreia em seus programas nacionais de saúde. Com a resistência da gonorreia a antibióticos aumentando, a saúde pública enfrenta um desafio sem precedentes, exigindo uma resposta coordenada e eficaz para mitigar essa crise crescente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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