CPI do Crime Organizado reflete punitivismo na política brasileira


Análise revela a tendência de endurecimento penal entre senadores, independentemente de suas ideologias

CPI do Crime Organizado reflete punitivismo na política brasileira
CPI do Crime Organizado em funcionamento. Foto: Gabriela Bilo/Folhapress

CPI do Crime Organizado revela tendência punitivista entre senadores, sem distinção ideológica.

CPI do Crime Organizado enfrenta críticas por enfoque punitivista

A CPI do Crime Organizado, constituída para investigar a expansão de facções após eventos violentos no Rio de Janeiro, apresenta um histórico de ações que priorizam o punitivismo em detrimento de estratégias preventivas. Essa análise revela que, entre os senadores que compõem a comissão, a maioria tem votado a favor de propostas que visam aumentar penas, sem considerar alternativas mais eficazes para a segurança pública.

Historicamente punitivista: a atuação dos senadores

Desde 2019, as votações na CPI têm demonstrado uma coesão em torno do endurecimento das leis penais. Projetos como a ampliação do conceito de terrorismo, por exemplo, não geraram divergências significativas entre os parlamentares. Nas discussões sobre a tipificação de facções como organizações terroristas, todos os membros da CPI apoiaram a proposta do senador Styvenson Valentim, que foi aprovada em 2023. Esse comportamento sugere uma convergência nas agendas de segurança pública, independentemente das diferenças ideológicas.

A ineficácia do aumento das penas

O professor Maurício Zanoide, especialista em processo penal, critica o foco no aumento de penas como solução para a criminalidade. Segundo ele, essa estratégia não tem respaldo em dados concretos e carece de uma análise crítica sobre os efeitos a longo prazo. “Aumentar penas não resolve problemas estruturais do sistema prisional, que está sob controle de facções”, afirma Zanoide, ressaltando que a verdadeira prevenção requer uma abordagem mais ampla e integrada.

Propostas de prevenção em minoria

Apesar do foco punitivista, a CPI também apresenta propostas voltadas para a prevenção, mas estas representam apenas cerca de 9% das iniciativas analisadas. A maioria dos projetos busca endurecer a legislação, refletindo uma visão predominante entre os senadores que favorece o aumento de penas e o controle penal, em detrimento de estratégias que poderiam abordar as causas da criminalidade.

A composição da CPI e suas implicações

Formada por senadores de diversos partidos, a CPI do Crime Organizado reflete a diversidade de posições políticas, mas a tendência punitivista se mantém. Marcos do Val, um dos membros mais ativos, apresentou inúmeras propostas relacionadas ao endurecimento penal, enquanto outros senadores também contribuíram com projetos voltados para a segurança pública. A análise mostra que, independentemente da orientação política, há um consenso sobre a necessidade de medidas mais rigorosas contra o crime.

Conclusão

A CPI do Crime Organizado levanta importantes questões sobre a eficácia das políticas de segurança pública no Brasil. A predominância do punitivismo e a falta de iniciativas preventivas sugerem a necessidade de uma reavaliação das abordagens adotadas pelos legisladores. O cenário atual, em que o sistema prisional é incapaz de lidar com a complexidade das facções criminosas, exige uma reflexão profunda sobre como realmente prevenir a criminalidade e garantir a segurança da população.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Gabriela Bilo/Folhapress


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