Descoberta arqueológica revela como funcionava a logística marítima na era Joseon

Arqueólogos sul-coreanos recuperam navio do século XV com carga intacta, revelando detalhes da era Joseon.
Descoberta do Mado 4: um navio de 600 anos recuperado
Arqueólogos da Coreia do Sul recuperaram um navio de carga de 600 anos, conhecido como Mado 4, com toda a sua carga intacta. Essa importante descoberta foi anunciada pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Marítimo, vinculado à Administração do Patrimônio Cultural da Coreia do Sul, após quase uma década de trabalhos de conservação e análise.
Detalhes sobre a recuperação do navio
O Mado 4, que dataria do século XV, foi içado do fundo do mar em outubro de 2025, após ser descoberto em 2015 na costa da cidade de Taean, na província de Chungcheong do Sul. Durante as escavações, mais de 120 artefatos foram recuperados, incluindo etiquetas de madeira que indicam destinos, recipientes de arroz e porcelanas que eram utilizadas como tributo ao governo da época.
Importância histórica e cultural
O navio é o único da era Joseon (1392-1910) que foi completamente escavado e recuperado até hoje. Segundo os arqueólogos, essa descoberta é fundamental para entender como funcionava o sistema de tributação e a infraestrutura marítima daquela época. O Mado 4 fazia parte do sistema estatal de transporte conhecido como ‘joun’, que transportava grãos e mercadorias da província até a capital, Hanyang, atual Seul. Essa infraestrutura revela muito sobre a burocracia primitiva que existia no estado Joseon e como se movimentavam alimentos e informações em longas distâncias.
Navegando em mares perigosos
O naufrágio do Mado 4 ocorreu por volta de 1420, quando o navio estava em uma rota considerada perigosa, saindo de Naju, um centro regional de coleta de grãos. As condições adversas, como correntes fortes e passagens rochosas, contribuíram para o naufrágio, mas também ajudaram a preservar os restos da embarcação sob camadas de areia e lodo.
Avanços na engenharia naval
Além do seu valor histórico, o Mado 4 também revela inovações significativas em engenharia da época. O navio possuía um projeto com dois mastros, em contraste com o mastro único presente em embarcações anteriores, indicando uma ênfase na velocidade e manobrabilidade. A utilização de pregos de ferro em seus reparos é outro ponto notável, sendo este o primeiro caso registrado de fixadores metálicos em um navio tradicional coreano, até então acreditava-se que apenas juntas de madeira eram utilizadas.
Exposição e novas descobertas
Atualmente, o Mado 4 passa por um processo de dessalinização e conservação, e uma seleção de artefatos já está disponível ao público na exposição “O Navio da Nação que Navegou os Mares”, que está em cartaz no Museu Marítimo de Taean até fevereiro de 2026. Recentemente, uma nova descoberta foi anunciada: um segundo naufrágio, contendo cerâmicas celadon datadas entre 1150-1175, também foi encontrado na mesma área. Se confirmado, este poderá ser o naufrágio mais antigo já encontrado na Coreia, datando de mais de dois séculos antes do Mado 4.
Conclusão
A recuperação do Mado 4 e as descobertas subsequentes na costa de Taean marcam um avanço significativo no entendimento da história marítima da Coreia do Sul, colocando a região como uma das mais importantes zonas arqueológicas subaquáticas do Leste Asiático. Com mais de uma dúzia de naufrágios encontrados, essa área revela um corredor marítimo que sustentava as finanças do estado e a troca de tributos ao longo dos séculos.
Fonte: noticias.uol.com.br








