País indica 3.805 pessoas, incluindo membros do governo e do setor privado

Brasil credencia 3.805 pessoas para a COP30, incluindo representantes do setor de petróleo e agronegócio.
A COP30, conferência do clima da ONU, ocorre em Belém e, por indicação do Brasil, conta com 3.805 pessoas credenciadas. Este número inclui membros do governo, ONGs e empresas, refletindo a diversidade de interesses presentes no evento.
Durante a conferência, o espaço central, denominado zona azul, é o local onde decisões importantes são tomadas, atraindo um grande fluxo de participantes. A lista de credenciamento, divulgada pela ONU, revela que o governo brasileiro manteve segredo sobre a composição de sua delegação, uma prática comum em encontros anteriores.
Em 20 de outubro, a solicitação de informações sobre os selecionados foi feita, mas o governo se negou a divulgar a lista. A Secretária Extraordinária para a COP30 informou que o processo de credenciamento ainda está em andamento e só será concluído com a emissão dos crachás.
Os dados do UNFCCC indicam que a maioria dos credenciados são integrantes do governo federal e representantes da sociedade civil, mas também inclui executivos de setores poluentes. Entre eles, destacam-se três representantes do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que tem sua própria programação durante o evento.
Além do IBP, a lista inclui o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com vários representantes. Também foram credenciados membros de empresas como Eneva, BHP Brasil, Braskem e JBS. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, estão entre os convidados do Brasil.
A ONU também divulgou a lista de observadores, com representantes de associações e ONGs. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), por exemplo, credenciou 11 pessoas de empresas como Bunge e Cargill. A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicou 31 observadores, enquanto a CNI credenciou 41.
A falta de clareza sobre os recursos utilizados para a participação de muitos desses representantes levanta preocupações. Renato Morgado, gerente de programas da Transparência Internacional – Brasil, enfatiza que o governo deveria ter implementado medidas de transparência mais rigorosas, especialmente por presidir a COP30. Ele argumenta que a divulgação de vínculos institucionais e processos decisórios é fundamental para evitar influências negativas nas negociações climáticas, principalmente de setores como o petróleo e o agronegócio.
A ausência de práticas de transparência e integridade pode comprometer a credibilidade do Brasil nas discussões climáticas. A diversidade de interesses representados na COP30, especialmente de setores potencialmente poluentes, destaca a necessidade de um debate aberto e transparente sobre as influências nas decisões climáticas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








