Em resposta à recente e controversa operação policial no Rio de Janeiro, que resultou em um elevado número de mortos, sete governadores anunciaram a formação do “Consórcio da Paz”. A iniciativa visa integrar esforços de inteligência, apoio financeiro e contingente policial para combater o crime organizado. A medida surge após a operação nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou pelo menos 121 mortos, reacendendo o debate sobre as estratégias de segurança pública no estado e no país.
O anúncio foi realizado no Palácio Guanabara, com a presença dos governadores Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais), Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás). A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também participou, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acompanhou a reunião por videoconferência. O Rio de Janeiro será a sede inicial do consórcio, responsável por formalizar o grupo e coordenar as primeiras ações.
Segundo o governador Cláudio Castro, a principal intenção do consórcio é compartilhar estratégias eficazes de combate ao crime. “Faremos um consórcio entre estados no modelo de outros que existem para que nós possamos dividir as experiências, soluções e ações do combate ao crime organizado”, afirmou Castro, ressaltando a importância da colaboração interestadual. Apesar de inicialmente liderado por governadores com alinhamento político, o objetivo é expandir a adesão para incluir todos os estados da Federação.
Apesar do foco na cooperação, o encontro também serviu para criticar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo federal ao Congresso. Os governadores presentes demonstraram preocupação com a possibilidade de a União centralizar as diretrizes da segurança pública, atualmente sob responsabilidade dos estados. “Único objetivo do governo federal é tirar dos governadores as diretrizes gerais da segurança pública (…) Querem transferir nossa autonomia e transformar em diretriz geral do Ministério da Justiça”, declarou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Em paralelo à iniciativa dos governadores, o governo federal também tem buscado fortalecer a segurança no Rio de Janeiro. O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o governador Cláudio Castro anunciaram a criação de um escritório emergencial para enfrentar o crime organizado no estado. A medida visa melhorar a integração entre as esferas federal e estadual, com o aumento do efetivo da Polícia Rodoviária Federal e o envio de peritos e agentes de inteligência ao Rio. Além disso, o governo federal autorizou a transferência de dez presos para presídios federais, atendendo a um pedido do governador Castro.








