Erasmo Alves Theofilo narra a realidade dos defensores de direitos humanos na Amazônia

Erasmo Alves Theofilo vive sob ameaças constantes enquanto defende a Amazônia e seus direitos.
A luta pela Amazônia e seus defensores
Erasmo Alves Theofilo, um camponês e ativista, viveu até recentemente na zona rural de Anapu, uma das regiões mais perigosas do Brasil para defensores de direitos humanos. Em suas palavras, tornou-se um exilado em seu próprio país devido às ameaças constantes que enfrenta por sua luta pela Amazônia.
Anapu é conhecida por ser um local de intensos conflitos de terra, onde muitos ativistas, como a irmã Dorothy Stang, foram assassinados por grileiros. Theofilo, em uma conversa com o escritor José Henrique Bortoluci, menciona que a devastação da Amazônia está ligada a uma lógica de exploração que ignora a relação dos camponeses com a floresta. “O camponês sempre foi mais extrativista que desmatador”, afirma, destacando que a ocupação do território se dá onde há recursos naturais abundantes.
A relação dos camponeses com a floresta
Para quem vive da terra, as árvores são sinônimo de renda, possibilitando a venda de sementes, mudas e frutos. Entretanto, a pressão de madeireiros e grileiros se intensifica, levando a conflitos que muitas vezes resultam em violência. Theofilo relata sua experiência em diversas retomadas de terras ocupadas ilegalmente, onde conseguiu reintegrações significativas com a ajuda do Ministério Público Federal, destacando a importância da preservação da Amazônia.
“Tenho muito orgulho das conquistas, mas também enfrento riscos constantes. Os grileiros retaliam, e já tentei proteger minha família de ameaças e sequestros”, conta Theofilo. Essa parceria entre camponeses e indígenas é fundamental para a luta pela preservação do território e pela justiça social.
Reflexões sobre a democracia brasileira
Bortoluci, ao narrar a luta de Theofilo, reflete sobre a fragilidade da democracia no Brasil, especialmente quando vista a partir da Amazônia. Ele argumenta que a democracia brasileira, em vez de promover avanços, muitas vezes reproduz padrões de violação de direitos que datam da ditadura militar. Theofilo, com sua experiência de vida, concorda: “O Brasil não melhorou em vinte anos. Na luta que vivo – ambiental, camponesa, florestal – só vi retrocesso”.
Conclusão
A luta pela Amazônia é uma batalha constante contra a devastação e a violência. Os defensores de direitos humanos, como Erasmo Alves Theofilo, continuam a resistir, mesmo diante de grandes desafios e ameaças. A preservação da Amazônia é não apenas uma questão ambiental, mas também social e política, refletindo a necessidade de uma democracia mais justa e inclusiva no Brasil.
Fonte: piaui.folha.uol.com.br








