Procurador-geral argumenta sobre a gravidade das ações do grupo na tentativa de golpe de Estado

PGR pede condenação do grupo 'kids pretos' por tentativa de golpe de Estado, com julgamento no STF em andamento.
Solicitação de condenação da PGR no caso ‘kids pretos’
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu hoje a condenação do grupo conhecido como “kids pretos” em um caso de tentativa de golpe de Estado. Os réus, que negam as acusações, estão sendo julgados pelo STF. Esta fase do julgamento foca nas defesas dos acusados, enquanto o núcleo da acusação apresenta evidências da tentativa de desestabilizar o governo em 2022, culminando nos eventos de 8 de janeiro.
Detalhes do julgamento no STF
O julgamento do núcleo 3 da trama golpista está sendo analisado pelos ministros da Primeira Turma do STF, que avaliam a denúncia contra dez réus, incluindo nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal. Eles respondem por cinco crimes, sendo eles: tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Gonet destaca que, apesar de Ronald Ferreira de Araújo Junior não ser condenado por tentativa de golpe, ele deve responder por incitação ao crime, pois teria auxiliado na elaboração de um plano para um golpe de Estado. Contudo, a PGR não encontrou “elementos adicionais” que o vinculassem diretamente aos demais réus.
Ações violentas e táticas do grupo
De acordo com a PGR, os “kids pretos” formaram um núcleo responsável por ações táticas e coercitivas dentro da organização criminosa. O procurador alega que o grupo estava envolvido nas ações mais violentas do processo, incluindo um plano para assassinar figuras-chave do governo, como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
Gonet enfatiza que a alegação de que houve apenas uma discussão sobre um plano golpista é inaceitável, afirmando que seria alarmante imaginar que militares altamente capacitados considerassem a tomada de poder por meios violentos.
Participação dos ministros no julgamento
O julgamento conta com a participação de outros ministros além de Moraes, entre eles Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Luiz Fux, que pediu transferência para a Segunda Turma, não estará presente, e seu substituto ainda não foi indicado pelo presidente Lula.
Investigação e divisão do núcleo da trama
As investigações revelaram que o grupo não aceitou o resultado das eleições de 2022. Segundo Gonet, Mauro Cid, um delator, afirmou que os réus pretendiam realizar uma “ação de forte impacto social” para justificar a assinatura de um decreto golpista por Jair Bolsonaro.
A denúncia divide o núcleo em três grupos distintos. O primeiro é composto por militares acusados de planejar o assassinato de Alexandre de Moraes; o segundo é formado por aqueles que pressionaram os chefes das Forças Armadas a apoiar o golpe, e o terceiro é acusado de espalhar desinformação sobre as urnas eletrônicas.
O plano e suas implicações
O plano de assassinato foi nomeado “Punhal Verde e Amarelo” e incluía táticas operacionais militares, além da criação de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise”. Para se comunicar, o grupo usou chips de celulares pré-pagos registrados em nomes de terceiros. O plano para assassinar Moraes foi organizado através de mensagens de aplicativo que não exigiam cadastro biométrico.
O STF já condenou outros envolvidos na tentativa de golpe, incluindo o ex-presidente Bolsonaro, que é considerado o líder da trama. O julgamento continua com sessões programadas para os dias 18 e 19, onde os votos dos ministros serão discutidos.
Fonte: noticias.uol.com.br








