Compra de munições por CACs atinge 1 milhão, alerta levantamento


Estudo revela que grande parte das munições adquiridas tem uso criminoso

Compra de munições por CACs atinge 1 milhão, alerta levantamento
Munições de fuzil adquiridas por CACs têm ligação com crime organizado. Foto: Folhapress

Levantamento revela que CACs compraram 1 milhão de munições de fuzis, muitos usados por criminosos.

CACs compraram 1 milhão de munições de fuzil, diz levantamento

Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz revela que CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) adquiriram quase 1 milhão de munições de fuzil durante a primeira metade de 2025. Este dado, que faz parte de um conjunto maior de 104 milhões de unidades de munição vendidas no Brasil entre janeiro e junho deste ano, levanta preocupações sobre o uso desse material por organizações criminosas.

De acordo com os dados do Exército, 54 milhões de unidades de munição foram compradas diretamente por CACs, enquanto 42 milhões foram adquiridas através de lojas. A pesquisa, divulgada em 25 de novembro, destaca que entre os calibres de fuzis mais utilizados pelo crime organizado, como 223 REM e 7.62×51 mm, cerca de 951.520 unidades foram vendidas a essa categoria, totalizando 67% das vendas desses calibres.

Concentração das vendas por região

O levantamento mostra também que a 1ª Região Militar, que abrange os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, representa apenas 4% do total de munições vendidas, mas concentra 17% das vendas para CACs, com 165 mil unidades. As regiões 2ª (São Paulo) e 3ª (Rio Grande do Sul) são responsáveis por 53,4% do total de munições vendidas no período, somando 753.358 unidades.

Necessidade de fiscalização

Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, destaca que essa situação alerta para a necessidade de um reforço na fiscalização sobre a venda de munições. A pesquisa não afirma que todos os CACs agem de má fé, mas sublinha que investigações têm revelado esquemas de venda de munição que podem facilitar o desvio desse material para atividades ilícitas. Langeani enfatiza que o rastreamento de munições se torna extremamente difícil quando não há marcações nos estojos comprados por civis.

Problemas na fiscalização e controle

Além disso, o levantamento menciona um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou irregularidades nas vendas de munições, incluindo casos de CPFs de menores de idade e até de falecidos utilizados para a compra de 2 milhões de munições durante o governo anterior. Embora o governo atual tenha feito mudanças no regulamento para controlar a entrada de novas armas, Langeani acredita que ainda falta cumprir promessas de recompra de armas pesadas.

Impacto na segurança pública

A disponibilidade de munição para grupos criminosos é um problema significativo, conforme evidenciado pela operação Contenção no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 122 pessoas, incluindo cinco agentes de segurança. A facilidade de aquisição de munições contribui para a capacidade de resistência dos criminosos diante da polícia, o que requer uma abordagem mais rigorosa em relação ao controle de armas e munições no país.

Em suma, o levantamento do Instituto Sou da Paz serve como um alerta sobre a necessidade urgente de revisar e intensificar a fiscalização da venda de munições no Brasil, a fim de combater o uso desse material por grupos criminosos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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