Estudo revela a presença crescente do CV na região, desafiando o domínio do PCC

Estudo aponta que o Comando Vermelho se tornou a facção criminosa mais ativa na Amazônia, com presença em 344 municípios.
Presença do Comando Vermelho na Amazônia
O Comando Vermelho (CV) tem se consolidado como a facção criminosa mais ativa na Amazônia, com operações em 286 cidades, superando o Primeiro Comando da Capital (PCC), que está presente em 90. De acordo com o estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, publicado em 19 de outubro, a atuação do CV se expandiu significativamente de 2023 a 2025, enquanto a influência do PCC estagnou.
Disputas territoriais e impacto no tráfico de drogas
O relatório revela que 344 dos 773 municípios da Amazônia Legal lidam com a presença de facções criminosas, além de identificar 81 localidades com disputas pelo controle de rotas de tráfico e exploração de recursos naturais. Essas atividades têm contribuído para o aumento das taxas de violência e problemas ambientais, como o desmatamento e a contaminação por mercúrio.
Estratégias de atuação do Comando Vermelho
O avanço do CV não significa que o PCC esteja perdendo força. Na verdade, o PCC tem investido em rotas aéreas e na internacionalização de suas operações. Renato Sérgio de Lima, diretor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que a rota caipira, que começa em Ponta Porã, continua sob controle do PCC, abastecendo cerca de 60% da cocaína no Brasil.
A relação entre facções e a exploração de recursos
A situação se complica com a aliança do CV com a Família do Norte. A competição por controle territorial inclui não apenas o tráfico de drogas, mas também a exploração de recursos naturais, como ouro e madeira. O estudo aponta que o ouro é frequentemente enviado à Colômbia, onde é comercializado como se tivesse origem legal, um processo conhecido como “esquentamento”. A madeira, por sua vez, é tratada em serrarias peruanas antes de retornar ao Brasil.
O aumento da violência e suas consequências
Em 2022, a região viu um salto no número de mortes violentas intencionais, passando de 12 para 42 em um ano. Isso indica que o controle de áreas de garimpo pela facção está diretamente ligado ao aumento da violência. O estudo sugere que o CV pode estar se transformando em uma grande organização criminosa, regulando tanto mercados legais quanto ilegais.
Desafios para as autoridades
Os desafios para o enfrentamento do crime organizado na Amazônia são enormes, especialmente em áreas como o Alto Solimões. Com uma população predominantemente jovem e dependente de políticas sociais, o território é ideal para as organizações criminosas se expandirem. A falta de fiscalização e controle nas fronteiras entre Brasil e Colômbia facilita ainda mais a atuação dessas facções.
Conclusão
O estudo enfatiza a necessidade de uma resposta integrada e eficaz das autoridades para combater o crescimento do Comando Vermelho na Amazônia. Isso inclui o fortalecimento da investigação criminal, a recuperação de territórios e a oferta de alternativas econômicas para a população local. A Amazônia, com sua biodiversidade e recursos naturais, tornou-se um campo de batalha para o tráfico de drogas e a exploração ilegal, exigindo a cooperação entre países para enfrentar os desafios transnacionais do crime organizado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








