Colômbia se torna pioneira ao interromper exploração de combustíveis fósseis na Amazônia


Anúncio histórico ocorreu durante a COP30; Brasil e outros países não seguem o exemplo.

Colômbia se torna pioneira ao interromper exploração de combustíveis fósseis na Amazônia
Anúncio faz parte do compromisso da Colômbia com a proteção da Amazônia. Foto: Governo Federal

Colômbia torna-se o primeiro país a parar a exploração de combustíveis fósseis na Amazônia durante a COP30.

Colômbia se torna o primeiro país a interromper a exploração de combustíveis fósseis na Amazônia

A Colômbia fez história ao anunciar, nesta quinta-feira (13), que se tornará o primeiro país a deixar de explorar combustíveis fósseis na floresta amazônica. O comunicado foi feito durante a COP30, a conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, que está ocorrendo em Belém. O governo, sob a liderança da ministra interina do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Irene Vélez Torres, convida outras nações amazônicas a adotarem medidas semelhantes.

Durante a conferência, os colombianos expressaram a intenção de transformar a Amazônia em “o coração da ação climática, justiça ambiental e paz com a natureza”. A decisão da Colômbia surge em meio a um contexto em que 14% da floresta amazônica está sobreposta a blocos de petróleo e gás, segundo a ONG Earth Insight. Isso representa uma área maior do que o estado de Goiás, com cerca de 740 mil km² cobertos por essas reservas.

Compromisso ambiental da Colômbia

“Embora a Colômbia represente apenas 7% do bioma amazônico, a Amazônia é 42% do nosso território nacional, e é por isso que decidimos protegê-la em sua totalidade”, afirmou Irene Vélez. O governo colombiano protege mais de 483 mil km² da floresta e enfatiza que cuidar da Amazônia não é um sacrifício econômico, mas um investimento ético no futuro.

Reação dos países vizinhos

No entanto, outros países da região, incluindo o Brasil, não parecem dispostos a seguir o exemplo colombiano. O Brasil continua a explorar gás em terra e prospectar petróleo offshore, particularmente na bacia da Foz do Amazonas. Esse contraste foi destacado por líderes indígenas durante a COP30, que lamentaram a exploração de gás em seus territórios, como é o caso da aldeia Gavião Real, que se opõe à atividade da Eneva.

Desafios e dependência dos combustíveis fósseis

A dependência de combustíveis fósseis varia entre os países amazônicos. Enquanto a Bolívia, por exemplo, é um grande exportador de gás da floresta, a Colômbia depende menos dessas reservas, concentrando-se em áreas como a Orinoquia. O setor de mineração e energia representa 7% do PIB colombiano, gerando um significativo investimento estrangeiro e centenas de milhares de empregos.

O papel da liderança e dos povos indígenas

O discurso do presidente colombiano, Gustavo Petro, na cúpula de líderes que antecedeu a COP30, ressaltou a importância de ações decisivas no combate à crise climática. Ele criticou os interesses econômicos que ainda dominam as negociações, destacando que o futuro da humanidade depende de escolhas mais sustentáveis. A organizadora da ONG 350.org na Colômbia, Helena Mullënbach, enfatiza que o sucesso do compromisso da Colômbia depende da liderança dos povos indígenas, que têm sido os guardiões da Amazônia por gerações.

A decisão da Colômbia representa um marco significativo na luta pela proteção da Amazônia e na busca por alternativas mais sustentáveis, desafiando a lógica da exploração de recursos naturais frente à crise climática. O futuro da floresta e do planeta pode depender de tal coragem política e da inclusão dos povos indígenas em processos decisórios.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal


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