A militante política faleceu aos 100 anos em São Paulo

Clara Charf, militante política e viúva de Carlos Marighella, faleceu em São Paulo aos 100 anos. Ela destacou a importância da liberdade na construção de uma sociedade justa.
Nesta segunda-feira (3), em São Paulo, a militante política Clara Charf, viúva do guerrilheiro e deputado federal Carlos Marighella, faleceu aos 100 anos. A informação foi confirmada pela Associação Mulher pela Paz, que Charf fundou e presidiu. Desde jovem, ela se dedicou às causas sociais e aos direitos femininos.
Durante sua participação no programa Provocações em 2011, Charf comentou sobre a busca da juventude por politização nos dias atuais, destacando como essa era mais viável hoje devido à liberdade e aos meios de comunicação disponíveis, em comparação com sua própria juventude. No entanto, ela alertou que apenas a liberdade não é suficiente. “Claro que a liberdade é muito importante, mas a liberdade para quê? Para você poder construir uma sociedade mais justa, mais igual, onde cada pessoa possa fazer o que quiser”, refletiu.
Legado de luta e ativismo
Charf também definiu a vida como luta, afirmando que “uma pessoa que não faz nada, que não participa de nada, fica só se queixando, amargurada porque não tem isso ou aquilo, eu acho que não vive”. Vera Vieira, diretora-executiva da Associação Mulher pela Paz, afirmou que Charf faleceu de causas naturais e estava hospitalizada há alguns dias. “Deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e equidade de gênero”, disse Vera.
A trajetória de Clara Charf
Criada em uma família judia em Maceió, Clara começou sua militância no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, ao se filiar ao Partido Comunista Brasileiro. Trabalhando como taquígrafa, conheceu Carlos Marighella, com quem se casou até seu assassinato em 1969. Após a morte do marido e a crescente repressão política durante a ditadura militar, se exilou em Cuba, retornando ao Brasil 10 anos depois com a lei da anistia, e se juntou à Ação Libertadora Nacional (ALN), organização armada criada por Marighella para combater a ditadura.
Notícia feita com informações do portal: cultura.uol.com.br








