Estudo da UFF revela o impacto da censura nas salas de aula brasileiras entre 2010 e 2024

Pesquisa mostra que 90% dos educadores já sofreram ou presenciaram censura nas salas de aula.
Censura e perseguição na educação: um retrato preocupante
A pesquisa do Observatório Nacional da Violência contra Educadoras/es (ONVE), vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF), revela que entre 2010 e 2024, 90% dos docentes da rede pública e privada no Brasil já sofreram, presenciaram ou souberam de casos de censura nas salas de aula. Este levantamento foi realizado com 3.012 educadores de diversas regiões do país, mostrando um cenário alarmante sobre a liberdade de ensino.
Intimidação no ambiente educacional
Dos educadores entrevistados, 58% afirmaram já ter se sentido intimidados no trabalho. A pesquisa, intitulada “A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática”, destaca que 71% dos participantes sentiram que suas vidas profissionais foram afetadas por censura e perseguição. Além disso, 62% relataram impactos em suas vidas pessoais devido a essas experiências.
Juliana Andozio, orientadora educacional em Florianópolis, é um exemplo dos efeitos da censura. Ela foi alvo de ataques após permitir que uma estudante trans usasse o banheiro feminino. Esse episódio desencadeou uma campanha de ódio nas redes sociais, levando a um ambiente hostil e a intimidações físicas.
Autocensura e seus efeitos
A pesquisa aponta que 45% dos educadores se sentem constantemente vigiados e relataram ter que pensar mais sobre o que dizem em sala de aula. Isso gerou uma onda de autocensura, onde 25% dos participantes decidiram retirar conteúdos de suas aulas após experiências de censura. O medo de represálias está moldando a prática pedagógica e limitando a discussão de temas importantes.
Impactos diretos na vida profissional
Os dados revelam que entre aqueles que enfrentaram censura, 50% sentiram desconforto no ambiente de trabalho, 18% mudaram de instituição e 3% deixaram a carreira docente. O cotidiano na Escola do Muquém, onde Juliana trabalha, exemplifica essa realidade, culminando em agressões físicas a professores como Andrei Pereira Dorneles, que também se opôs a mudanças na gestão da escola.
Censura relacionada ao contexto político
O estudo também mostra que a censura se intensifica em anos eleitorais, com picos notados em 2018 e 2022. A pesquisa aponta que 73% das situações de censura envolvem temas políticos, e 53% relativas a gênero e sexualidade. Fernando Penna, professor da UFF, argumenta que a violência contra educadores está diretamente ligada ao clima político atual, afetando a educação de forma ampla.
Conclusão
Os resultados da pesquisa do ONVE evidenciam um cenário de violência e censura que ameaça a liberdade de ensino e a formação dos estudantes no Brasil. O silêncio das autoridades, como o Ministério da Educação, em responder sobre essas questões, apenas agrava a situação. Os educadores, que deveriam ser agentes de transformação, estão sendo silenciados por um sistema que não respeita a diversidade e a liberdade de expressão.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








