Pesquisa aponta que episódios de herpes-zóster podem aumentar chances de desenvolver a doença neurodegenerativa

Estudo associa episódios de herpes-zóster ao aumento do risco de demência, destacando a importância da vacinação.
Relação entre herpes-zóster e demência: o que diz o estudo
Um estudo recente indica que o risco de demência pode ser significativamente maior para pessoas que tiveram múltiplos episódios de herpes-zóster, uma infecção causada pelo vírus varicela-zóster, responsável pela catapora. Pesquisas revelam que o aumento nas chances de desenvolver a doença neurodegenerativa é de até 9% para aqueles que enfrentaram três ou mais surtos.
Entendendo o herpes-zóster e suas consequências
O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é uma reativação do vírus da catapora que permanece dormente no sistema nervoso após a infecção inicial na infância. Essa reativação pode resultar em erupções cutâneas dolorosas e outros sintomas incômodos. Pascal Geldsetzer, professor de medicina da Universidade de Stanford e um dos autores do estudo, explica que o vírus pode reativar-se, especialmente à medida que as pessoas envelhecem, levando a surtos recorrentes que afetam a qualidade de vida dos pacientes.
Impacto da vacinação na saúde cerebral
A pesquisa realizada pela GSK, publicada na revista Nature Medicine, analisou mais de 100 milhões de registros médicos nos Estados Unidos entre 2007 e 2023. Os pesquisadores encontraram que a vacinação contra herpes-zóster reduz em até 33% o risco de desenvolver demência nos três anos seguintes à vacinação. Essa redução foi observada mesmo após controlar fatores como doenças crônicas e características demográficas.
Múltiplos surtos e o aumento do risco
Os dados também revelaram que indivíduos que enfrentaram múltiplos episódios de herpes-zóster apresentaram um aumento de 7% a 9% no risco de demência entre três a nove anos após o segundo surto. Essa relação entre infecções virais e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como a demência é um campo de estudo em expansão, que busca entender melhor as implicações das infecções crônicas na saúde do cérebro.
Teorias sobre a ligação entre vírus e demência
Os pesquisadores ainda buscam esclarecer os mecanismos pelos quais o varicela-zóster pode influenciar a neurodegeneração. Uma possibilidade é que a reativação do vírus cause danos diretos ao cérebro, enquanto outra teoria sugere que a resposta inflamatória do corpo à infecção pode ser a responsável pelo aumento do risco de demência. Anupam Jena, internista do Hospital Geral de Massachusetts, afirma que a inflamação resultante pode ter impactos negativos nas células cerebrais, contribuindo para a deterioração cognitiva.
Conclusões e recomendações
As descobertas ressaltam a importância da vacinação contra herpes-zóster, especialmente em adultos mais velhos e aqueles com sistema imunológico comprometido. A evidência sugere que, além de prevenir a dor associada ao herpes-zóster, a vacinação pode desempenhar um papel crucial na proteção da saúde cerebral. Especialistas agora consideram que as evidências são suficientemente robustas para que a prevenção da demência seja discutida como um benefício adicional da imunização. Essa ligação entre infecções virais e doenças neurodegenerativas abre novas perspectivas para a pesquisa e tratamento da demência, visando melhorar a qualidade de vida dos idosos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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