Morte de homem negro em Porto Alegre ainda aguarda julgamento após cinco anos

Cinco anos após a morte de João Alberto, julgamento do caso ainda não ocorreu.
Morte de João Alberto Freitas: um marco na luta contra o racismo
Em 19 de novembro de 2020, João Alberto Freitas, conhecido como Beto, foi brutalmente agredido durante uma abordagem de segurança em um supermercado Carrefour em Porto Alegre. Este incidente, que resultou em sua morte por asfixia, se tornou um símbolo de resistência contra o racismo no Brasil. Infelizmente, cinco anos após sua morte, o caso ainda não foi julgado, gerando frustração e indignação entre seus familiares e a sociedade.
Circunstâncias da morte e o impacto social
João Alberto foi asfixiado por cerca de quatro minutos na frente de testemunhas, que se viram impotentes para ajudá-lo. Sua morte ocorreu um dia antes do Dia da Consciência Negra, provocando uma onda de protestos em todo o país. A indignação popular foi suficiente para mobilizar uma discussão ampla sobre a violência racial e a necessidade de justiça.
A situação legal dos réus e do Carrefour
Seis réus foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul sob a acusação de homicídio duplamente qualificado. No entanto, o Carrefour não está sendo responsabilizado judicialmente, uma vez que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometeu a implementar medidas de combate ao racismo. O grupo reconhece a gravidade do acontecimento, mas enfatiza que as ações tomadas não podem reparar a perda irreparável de João Alberto.
A defesa dos réus e os desdobramentos do caso
Os seguranças envolvidos na morte de João Alberto alegam que não houve intenção de matar e que a abordagem foi uma tentativa de defesa própria. O processo legal ainda está em andamento, mas a falta de um julgamento definitivo gera um sentimento de impunidade. Os réus foram interrogados entre 2021 e 2022, com a decisão de levar o caso a júri popular anunciada no final de 2023. No entanto, a Promotoria recorreu ao STJ para restabelecer a qualificadora de motivo torpe, essencial para a compreensão da motivação racial subjacente ao crime.
Compromissos do Carrefour e o futuro
O Carrefour, em resposta à pressão pública e às exigências legais, comprometeu-se a investir R$ 115 milhões em ações de reparação coletiva e combate ao racismo. As políticas incluem treinamento de funcionários e a implementação de câmeras corporais. Contudo, a eficácia dessas medidas é questionada, especialmente sem um julgamento que responsabilize os envolvidos pela morte de João Alberto.
Conclusão: a luta por justiça continua
A morte de João Alberto Freitas não deve ser esquecida. O episódio permanece como um lembrete das desigualdades e injustiças enfrentadas pela população negra no Brasil. A sociedade aguarda ansiosamente por um desfecho que traga justiça e responsabilização, enquanto o Carrefour e outras instituições precisam refletir profundamente sobre suas práticas e políticas de combate ao racismo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução








