Pesquisa revela como a acidose tumoral contribui para a sobrevivência das células cancerígenas

Estudo revela que a acidose tumoral é fundamental para a sobrevivência e crescimento do câncer.
Câncer utiliza ambiente ácido como combustível para crescer
Um estudo publicado na revista Science revela que a acidose tumoral é fundamental para a sobrevivência e o crescimento das células cancerígenas. Pesquisadores do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) e do Instituto de Patologia Molecular (IMP) analisaram como células de câncer de pâncreas se adaptam a condições adversas, como falta de oxigênio e nutrientes.
O papel da acidificação no metabolismo celular
Os tumores costumam ser ambientes hostis, com escassez de oxigênio e acúmulo de resíduos tóxicos. Apesar disso, as células malignas conseguem prosperar. Segundo os cientistas, a acidificação do tecido tumoral altera o metabolismo celular, permitindo que as células utilizem energia de forma mais eficiente. Wilhelm Palm, líder do estudo, enfatiza: “Não é apenas a falta de oxigênio ou de nutrientes que muda o metabolismo do tumor — é principalmente a acidificação do ambiente tumoral.”
Adaptação das mitocôndrias em ambiente ácido
Os pesquisadores observaram que, em ambiente ácido, as mitocôndrias se fundem, formando grandes redes que geram energia com mais eficiência. Em contraste, em um meio neutro, essas estruturas permanecem fragmentadas e menos produtivas. Para investigar, a equipe utilizou a técnica de edição genética CRISPR-Cas9, desativando genes em células de câncer de pâncreas e analisando as alterações na sobrevivência celular.
Implicações para a pesquisa e tratamento do câncer
Os experimentos mostraram que a acidose tumoral modifica a produção de energia das células, levando-as a abandonar a glicólise e adotar uma respiração mitocondrial mais eficiente. Além disso, o ambiente ácido inibe a proteína ERK, responsável pela fragmentação das mitocôndrias, favorecendo a sobrevivência tumoral. Essa pesquisa muda a visão sobre o microambiente tumoral, sugerindo que neutralizar o ambiente ácido pode ser um novo alvo terapêutico no futuro. Mais estudos são necessários para transformar essas descobertas em tratamentos práticos.
Notícia feita com informações do portal: g1.globo.com








