Câmara de São Paulo aprova mudança do nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide


Projeto busca reparar memória de vítima de feminicídio e retirar homenagem ao agressor na capital paulista

Câmara de São Paulo aprova mudança do nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide
Vista da rua Peixoto Gomide, nos Jardins, São Paulo

São Paulo aprova troca de nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide em homenagem à vítima de feminicídio.

Câmara de São Paulo aprova troca de nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide

A troca de nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide foi aprovada em primeira votação pela Câmara Municipal de São Paulo na quarta-feira, 18 de março de 2026. A mudança, proposta pela Bancada Feminista do PSOL, visa reparar a memória de Sophia Gomide, assassinada em 1906 pelo próprio pai, o senador Peixoto Gomide, que também dá nome à via desde 1914. A vereadora Silvia Ferraro destacou que a medida representa uma reparação histórica e o posicionamento da cidade ao lado das vítimas de feminicídio.

Contexto histórico do feminicídio que motivou a mudança do nome

O assassinato de Sophia Gomide ocorreu em 20 de janeiro de 1906, quando seu pai, senador Peixoto Gomide, não aceitou o casamento da filha. Conforme relatos históricos e estudo da historiadora Maíra Rosin, Peixoto Gomide disparou um tiro contra a cabeça de Sophia, que morreu imediatamente; ele se suicidou em seguida. Apesar da violência do ato, a Câmara Municipal homenageou o senador nomeando uma rua em sua memória oito anos depois, iniciativa questionada por movimentos feministas contemporâneos.

Impacto social e político da revisão dos nomes de logradouros públicos

A proposta da Bancada Feminista do PSOL reflete uma tendência crescente de revisão dos símbolos públicos que homenageiam figuras associadas a atos de violência contra mulheres. A campanha “Feminicida não é herói”, em parceria com o Instituto Polis e a organização Minha Sampa, busca não apenas trocar o nome da rua Peixoto Gomide, mas também de outras vias, como Moacir Piza e Alberto Pires, além de proibir novas homenagens a feminicidas. Essa iniciativa visa reconhecer e valorizar as vítimas, promovendo uma mudança cultural na capital paulista.

A situação atual da violência de gênero em São Paulo e no Brasil

O feminicídio é um problema que cresce no país, mesmo após a lei que tipificou o crime em 2015. Dados históricos apontam um aumento significativo dos casos registrados, com 929 feminicídios em 2016 e 1.492 em 2024, um crescimento superior a 60%. Casos recentes, como o da policial militar Gisele Alves Santana, assassinada em 18 de fevereiro de 2026, evidenciam a persistência da violência de gênero e a importância de ações simbólicas e legislativas para combater essa realidade.

Próximos passos para a oficialização da troca de nome da rua Peixoto Gomide

Após a aprovação unânime em primeira votação, o projeto de lei que altera o nome da rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide precisa ser submetido a uma segunda votação no plenário da Câmara Municipal. Caso seja aprovado novamente, o texto será encaminhado para sanção do prefeito Ricardo Nunes. Se sancionada, a mudança passará a integrar o mapa oficial da cidade, consolidando a reparação simbólica e política em homenagem a Sophia Gomide e às vítimas de feminicídio em São Paulo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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