Câmara Recua: Anistia a 8/1 e Foro Privilegiado Travados Diante da Falta de Consenso


A reunião de líderes na Câmara dos Deputados terminou sem acordo para pautar dois temas explosivos: a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e a revisão do foro privilegiado. A decisão enterra, ao menos por ora, as esperanças da oposição, que havia condicionado o fim de um protesto na Casa à discussão dessas pautas. A resistência da maioria dos líderes reflete a busca por um terreno mais seguro, evitando divisões acentuadas no plenário.

A pressão da oposição, que chegou a paralisar os trabalhos da Câmara, tinha como objetivo transferir o foro de investigação de parlamentares do STF para a primeira instância. Críticos da proposta argumentam que a mudança abriria brechas para pressões políticas, dificultando investigações contra deputados e senadores. O líder do PP, Doutor Luizinho, reconheceu que o tema do foro ainda carece de amadurecimento para ser votado.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, celebrou a decisão, afirmando que ceder à pauta da oposição seria premiar a baderna promovida na semana anterior. “Quem fez tudo aquilo não poderia ser premiado escolhendo a pauta do Parlamento”, declarou. Ele também informou que a mesa diretora da Câmara encaminhou à Corregedoria da Casa o caso de 14 deputados que participaram do protesto, acusados de quebra de decoro parlamentar.

Enquanto a polêmica em torno da anistia e do foro permanece em suspenso, a Câmara se prepara para avançar em projetos de menor resistência. Entre os temas pautados estão o Estatuto do Aprendiz, a regulamentação dos programas de milhagem e medidas para garantir a lisura nas eleições de organizações esportivas. O governo, por sua vez, pretende insistir na pauta da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Lindbergh Farias expressou a expectativa de que o projeto do Imposto de Renda seja pautado e aprovado no Senado até o final de setembro. A busca por consensos em temas econômicos e sociais parece ser a estratégia da Câmara para evitar novas crises e garantir a governabilidade, mesmo diante da persistente pressão de setores da oposição.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br


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