Reflexões sobre a política identitária e o nativismo contemporâneo

Análise sobre a caçada aos Haule e suas consequências na política identitária atual.
A origem do termo Haule e seu significado na atualidade
O termo Haule nasceu entre os surfistas do Havaí e se refere ao surfista forasteiro, considerado um invasor. Essa ideia se conecta profundamente com as discussões sobre identidade e pertencimento na política contemporânea. Na política democrática, o foco está em valores e programas; na política identitária, a origem remota do indivíduo é o que realmente importa, traçando um paralelo entre a ancestralidade e as tensões sociais.
A conexão entre nativismo e política identitária
A noção de nativismo está presente em diferentes espectros políticos. J.D. Vance, por exemplo, argumenta que os “verdadeiros americanos” são aqueles cujos ancestrais estavam presentes nos EUA durante a Guerra Civil. Esse tipo de discurso alimenta identitarismos presentes tanto na direita quanto na esquerda, cada um com suas particularidades. A xenofobia, como a promovida por Viktor Orbán, exemplifica como o nativismo pode ser utilizado para justificar posicionamentos políticos extremados.
O papel do cristianismo na política identitária
Um aspecto distintivo do identitarismo de direita é a forte influência do cristianismo. Nos Estados Unidos, o movimento Maga, liderado por Trump, vê o Novo Testamento como um guia em vez da Constituição. Essa perspectiva leva a uma visão de que a vida social deve ser governada pela “lei de Deus”. No Brasil, essa ideia é refletida em declarações de figuras como Michelle Bolsonaro, que posiciona certos grupos como “desviantes” com base em sua orientação sexual e visões sobre família.
O antissemitismo na política contemporânea
A deriva cristã fundamentalista também reabilita formas clássicas de antissemitismo. A figura do judeu como “globalista” ou “imperialista” aparece tanto na retórica da direita quanto na da esquerda. Ambos os lados compartilham a crença de que os judeus exercem controle hegemônico, o que demonstra como a caçada aos Haule é um reflexo de tensões mais amplas.
A entropia da política identitária
A política identitária tende a gerar conflitos internos, como os que ocorrem entre feministas e ativistas trans ou entre grupos raciais que disputam representatividade e direitos. Este fenômeno não se limita à esquerda; na direita, vemos uma radicalização que busca criar “pátrias locais”. O prefeito de Florianópolis, por exemplo, deporta migrantes pobres, enquanto figuras políticas tentam implementar fronteiras internas e passaportes estaduais.
Os Haule, portanto, devem se preparar, pois a temporada de caça a esses “invasores” está em seu auge. A análise crítica desse fenômeno revela não apenas a polarização da sociedade, mas também um chamado à reflexão sobre o que significa realmente pertencer a uma comunidade em tempos de intensa fragmentação social.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Demétrio Magnoli








