Brasil se Despede de Luiz Fernando Veríssimo: Mestre da Crônica e da Ironia


O sábado amanheceu mais triste com a notícia da morte de Luiz Fernando Veríssimo, aos 88 anos, em Porto Alegre. O renomado escritor vinha enfrentando complicações de saúde desde 2021, quando sofreu um AVC, somadas às limitações impostas pelo Parkinson e outros problemas preexistentes. Sua partida encerra um capítulo na literatura brasileira, deixando um legado de crônicas, romances e personagens inesquecíveis.

Veríssimo, herdeiro literário do pai Érico, notabilizou-se pela ironia fina e texto preciso, conquistando milhões de leitores ao longo de décadas. Sua obra transitava entre a crônica, a ficção e o humor, abordando temas diversos com olhar crítico e perspicaz. O escritor, que manteve colunas em importantes veículos da imprensa nacional, como O Globo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora, deixa um vazio na cultura brasileira.

“Observador astuto e atento”, como define Luiz Thadeu Nunes e Silva, Veríssimo escreveu sobre a comédia da vida privada e a tragédia da vida pública, nada escapando ao seu olhar arguto. O autor revolucionou a crônica brasileira, dando voz a tipos universais e transformando o cotidiano em matéria-prima para suas histórias. Criou personagens memoráveis como o Analista de Bagé e a Velhinha de Taubaté, que permanecem vivos no imaginário popular.

Ao longo de mais de 50 anos de carreira, Veríssimo publicou inúmeros livros, colaborou com programas de humor na televisão e escreveu sobre cultura, viagens e esportes. Sua posição de esquerda reformista sempre foi clara e sua influência na literatura brasileira é inegável. Como ele mesmo disse: “Ninguém é uma coisa só, todos nós somos muitos”, refletindo a complexidade e a riqueza de sua própria obra.

Veríssimo deixa um legado atemporal, marcado pela inteligência, humor e capacidade de retratar a alma brasileira. Suas frases memoráveis, como “A vida é a melhor coisa que conheço para passar o tempo” e “O mundo não é ruim, só está mal frequentado”, continuarão a ecoar, inspirando gerações futuras. O Brasil perde um de seus maiores cronistas, mas sua obra permanece viva, convidando-nos a rir de nós mesmos e a enxergar a vida com mais leveza.

Fonte: http://www.folhabv.com.br


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