Análise da presença brasileira em um dos maiores eventos literários do mundo

A presença brasileira na Feira de Frankfurt reflete uma longa negligência, evidenciada por um estande apagado e sem identidade.
Em Frankfurt, 31 de outubro de 2025, a presença brasileira na feira de livros mais importante do mundo chamou atenção pela sua falta de estratégia, refletindo um histórico de negligência em relação à literatura nacional. O estande do Brasil, apagado e sem uma identidade visual clara, evidenciou a contrariedade de profissionais do setor que, ao longo dos anos, assistiram a uma representação que não condiz com a riqueza literária do país.
A representação do Brasil
A presença do Brasil na feira, que em 2024 recebeu cerca de 115 mil profissionais de 153 países, deveria ser uma oportunidade para mostrar a diversidade e a qualidade da literatura nacional. No entanto, o estande brasileiro se destacou pela ausência de materiais de apoio e uma narrativa coesa. Enquanto outros países apresentaram catálogos bem elaborados, o Brasil trouxe apenas um QR code e exemplares de uma revista, o que gerou um sentimento de indignação entre os participantes.
Comparações internacionais
Em contraste, países como a Estônia e a Coreia do Sul demonstraram como é possível criar uma presença marcante e articulada. A Coreia do Sul, por exemplo, tem investido em traduzir obras e apoiar a presença de autores em feiras, o que resultou em um aumento significativo no faturamento de suas editoras. O modelo coreano, que envolve uma coordenação entre governo e setor privado, poderia servir de referência para o Brasil, que necessita de uma estratégia mais focada e integrada.
A necessidade de mudança
É urgente que o Brasil não apenas participe anualmente das feiras, mas que desenvolva um plano estratégico que conecte sua literatura ao mercado internacional. Isso inclui fortalecer a relação entre leitores, editores e instituições, além de promover a literatura brasileira de forma mais eficaz. Com a crescente popularidade de autores como Clarice Lispector, há um potencial significativo a ser explorado. O Brasil precisa urgentemente repensar sua abordagem para não se tornar apenas um figurante em um cenário literário que poderia ser mais vibrante e representativo.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








