Luis Augusto Rohde destaca lacunas na saúde mental durante premiação

O psiquiatra Luis Augusto Rohde critica a falta de atenção à ciência na saúde mental durante a entrega do prêmio Ruane.
Em 24 de outubro de 2025, o psiquiatra Luis Augusto Rohde recebeu o prêmio Ruane, um reconhecimento importante na área de pesquisa psiquiátrica. Ele critiquou a maneira como a saúde mental é percebida no Brasil, muitas vezes como uma questão de elite, e destacou a necessidade urgente de integrar a ciência nas políticas públicas.
Lacunas na saúde mental
Rohde identificou três principais lacunas que precisam ser abordadas: a capacitação de profissionais da educação para intervenções em saúde mental, a formação de médicos na atenção primária para um diagnóstico mais rápido do TDAH e a disponibilidade de medicamentos pelo SUS. Ele alertou que as famílias em situação de vulnerabilidade social carecem de acesso a intervenções adequadas, o que não ocorre com famílias de classes média e alta.
Necessidade de políticas informadas pela ciência
O psiquiatra enfatizou a importância de colocar a ciência como prioridade nas decisões políticas. Ele mencionou sua pesquisa sobre critérios de elegibilidade para laudos formais no Enem, ressaltando que a ciência deve ser traduzida em políticas públicas que realmente façam a diferença na vida das pessoas. “Estamos colocando a ciência aqui na América Latina no mesmo patamar do que acontece nos países desenvolvidos”, afirmou.
Estigmas associados ao tratamento
Rohde também abordou a distorção no diagnóstico e tratamento do TDAH, onde grandes centros têm excesso de diagnósticos, enquanto a saúde pública enfrenta subdiagnóstico. O uso da medicação para TDAH, segundo ele, é frequentemente estigmatizado, apesar de estudos indicarem que a medicação pode reduzir a mortalidade associada ao transtorno.
Próximos passos
Com o Projeto de Lei 3118/2020, que inclui medicamentos para o tratamento do TDAH na saúde pública, Rohde espera que o Senado avance na proposta para garantir melhor acesso a tratamentos. A luta pela visibilidade e inclusão da ciência nas políticas de saúde mental continua, com a esperança de que mudanças significativas possam ocorrer em breve.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








