Coletivo promove performances e debates sobre transformação social na 36ª Bienal.

Coletivo Boxe Autônomo estreou na Bienal de São Paulo com uma instalação-performance que mistura luta e arte.
O coletivo Boxe Autônomo, que nasceu em ocupações e espaços públicos do Centro de São Paulo, como a Favela do Moinho, estreou na 36ª Bienal de São Paulo entre os dias 16 e 18 de outubro, com uma instalação-performance que mistura luta, dança e debates sobre esporte e política.
Nascimento e filosofia do projeto
Fundado em 2015 por três amigos e baseado na Casa do Povo, no Bom Retiro, o projeto transformou o gesto esportivo em linguagem artística para mostrar que o boxe pode ser ferramenta de transformação social. O grupo começou realizando treinos ao ar livre na Favela do Moinho, uma das últimas comunidades remanescentes da região central da capital, marcada por conflitos por moradia. Kelvy Alecrim, tricampeão brasileiro, é um exemplo da filosofia do projeto: esporte como instrumento de transformação social.
Apresentações e debates
Durante os três dias da Bienal, o coletivo promoveu treinos abertos, apresentações de sparring, mesas de debate e performances que exploram o corpo, a luta e a arte. A estreia contou com a presença do ex-jogador de futebol Raí. Entre as performances, “Quadrilátero da Fragilidade” destacou-se ao unir socos e palavras sobre vulnerabilidade. O coordenador do coletivo, Michael de Paula Soares, enfatiza que o boxe pode ser muito mais do que agressão, sendo também cuidado e invenção.
Inclusão e diversidade
Inspirado nas academias antifascistas italianas, o projeto busca criar um ambiente inclusivo e seguro para todos, independentemente de sua origem. Raphael Piva, um dos fundadores, afirma que a intenção é criar um espaço respeitoso. O Boxe Autônomo já montou ringues em diversos locais, sempre com a meta de proporcionar visibilidade social, e não apenas reconhecimento artístico.
Conclusão
O Boxe Autônomo, que já montou ringues no Sesc Pompeia, reforça que não busca reconhecimento artístico, mas a visibilidade social, mostrando que arte, esporte e política estão juntos no mesmo corpo.








