Big techs question rapidez na votação de projeto contra práticas anticoncorrenciais


Empresas digitais pedem diálogo e criticam urgência na tramitação da proposta legislativa

Big techs question rapidez na votação de projeto contra práticas anticoncorrenciais
Protesto das big techs contra o projeto de lei. Foto: Agência

Big techs criticam a rapidez na votação de projeto contra práticas anticoncorrenciais na Câmara dos Deputados.

Big Techs e a urgência na votação do projeto de combate a práticas anticoncorrenciais

As big techs estão expressando preocupações sobre a rapidez com que o projeto de combate a práticas anticoncorrenciais está sendo tratado na Câmara dos Deputados. A proposta, apresentada pelo Executivo, visa dar ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) maiores poderes para regular o mercado digital, impondo obrigações às principais plataformas para garantir a concorrência e coibir preços abusivos.

A camara-e.net, associação que representa gigantes da tecnologia como Meta, TikTok, Google, Amazon e Mercado Pago, criticou o pedido de urgência para a votação da proposta, que será analisada na terça-feira (11). Se aprovada, a tramitação será mais rápida, permitindo que o parecer do projeto vá diretamente ao plenário, sem passar pelas comissões.

Igor Luna, consultor da camara-e.net, destacou que a pressa na votação pode resultar em uma regulação imprecisa e insegurança jurídica para as empresas. Ele argumentou que deveria haver um diálogo mais amplo antes da votação, uma vez que não houve consultas adequadas durante a elaboração do projeto. “Vimos a apresentação do projeto a partir de um relatório que foi feito com base numa consulta pública que a Fazenda realizou. Não houve diálogo prévio ao envio do projeto”, criticou Luna.

O papel do Cade e as mudanças propostas

O projeto enviado ao Congresso em setembro propõe a criação de uma superintendência no Cade focada no mercado digital, com equipes especializadas para lidar com as especificidades do setor. O responsável por essa unidade será indicado pelo presidente da República, e seu nome deverá ser aprovado pelo Senado. Essa autarquia terá a capacidade de estipular correções de conduta para empresas consideradas relevantes em seus mercados.

O relator do projeto, deputado Aliel Machado (PV-PR), defendeu a urgência da votação e rebateu as críticas das big techs, afirmando que elas estão tentando procrastinar o processo. “Eu não abri a agenda ainda para conversar. Sabe por que as big techs estão dizendo isso? Porque elas querem que o projeto vá para as comissões e nunca mais saia de lá”, afirmou. Machado garantiu que realizará um debate abrangente sobre a proposta, semelhante ao que fez com a regulamentação do mercado de carbono.

Regulamentação e os desafios do mercado digital

As big techs temem que o modelo de regulação proposto se inspire em legislações europeias, como a DMA (Lei dos Mercados Digitais), que já demonstrou desvantagens significativas para as empresas. Elas argumentam que o mercado brasileiro possui características únicas, tornando a adoção irrestrita de modelos europeus questionável.

Além disso, a adoção das regras do DMA pode acarretar prejuízos, com empresas e consumidores enfrentando dificuldades para acessar inovações em inteligência artificial e outros avanços tecnológicos. As plataformas digitais brasileiras acreditam que uma regulação mal formulada pode sufocar o ecossistema vibrante de startups que se desenvolveu no país.

As discussões sobre o projeto de lei seguem intensas, e o resultado da votação poderá impactar diretamente a forma como as big techs operam no Brasil, além de definir os rumos da concorrência no mercado digital. A expectativa é que, independentemente do resultado, o diálogo entre as partes envolvidas se intensifique para buscar um equilíbrio entre regulação e inovação.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Agência


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