Barulho de quem teme


A reação de parlamentares lulistas à aprovação da quebra de sigilos de Lulinha na CPMI foi menos política e mais reveladora. Incapazes de aceitar a derrota no voto, partiram para o tumulto e para o confronto físico, oferecendo ao país um espetáculo que mistura nervosismo, intolerância e constrangimento institucional.

Foto: Redes Sociais

Em tese, quem confia na própria versão dos fatos deveria defender investigação ampla. Mas a cena desta manhã transmitiu o oposto: um grupo disposto a tensionar o ambiente e constranger o processo justamente quando ele começa a produzir instrumentos concretos de apuração.

O excesso de indignação não parece fruto apenas de divergência política. Soa como reflexo do receio sobre o que a quebra de sigilos pode expor. Quando a investigação avança e a reação é o barulho, a leitura inevitável é de preocupação.

O lulismo, que frequentemente reivindica para si o discurso institucional, protagonizou um episódio que caminha na direção inversa: tentou transformar um mecanismo legítimo de fiscalização em motivo de confronto. Não é defesa política — é reação defensiva.

No fim, a imagem que fica é simples e incômoda: se a apuração provoca tamanho descontrole, talvez o problema não esteja na CPMI, mas no que ela pode revelar.


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