Banco do Brasil se defende de acusações de venda casada em inquérito do Cade


Instituição alega que a exigência de seguros é baseada em normas do Banco Central

Banco do Brasil se defende de acusações de venda casada em inquérito do Cade
Painel S.A.

Banco do Brasil responde ao Cade sobre prática de venda casada em crédito rural.

Banco do Brasil responde a inquérito do Cade sobre venda casada

Na última sexta-feira (14), o Banco do Brasil protocolou uma resposta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em relação a um inquérito administrativo aberto no mês passado. Este inquérito investiga práticas de venda casada na oferta de crédito rural pela instituição. A estatal enfrenta acusações da Abdagro (Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio), que aponta que o banco estaria condicionando a concessão de crédito à contratação de seguros e consórcios.

Defesa do Banco do Brasil e obrigações legais

O Banco do Brasil se defendeu ao afirmar que, em casos onde vincula a venda de seguros à concessão de crédito, está apenas cumprindo obrigações legais estabelecidas pelo Banco Central. A instituição nega a prática de venda casada, argumentando que para que haja essa prática seria necessário subordinar a venda de um bem à aquisição de outro, algo que não ocorre. A estatal destaca que várias modalidades de seguros são oferecidas e a contratação, na maioria dos casos, não está vinculada a operações de crédito.

Regras do Banco Central e suas implicações

O banco cita o Manual do Crédito Rural, que exige que operações de crédito de custeio, de até R$ 200 mil, para empreendimentos em condições de zoneamento agrícola de risco climático, sejam asseguradas pelo Proagro ou por seguro agrícola. O Proagro garante o cancelamento de obrigações financeiras em caso de dificuldades de pagamento decorrentes de fenômenos naturais.

Ação judicial e suas consequências

A Abdagro havia movido uma ação judicial coletiva no início do ano, pedindo indenização por supostas práticas de venda casada, totalizando R$ 841 bilhões. No entanto, a juíza Laura Ribeiro de Oliveira extinguiu o processo em julho, afirmando que cada caso deveria ser analisado individualmente. A decisão destaca a impossibilidade de classificar todos os produtores rurais como homogêneos, levando em conta as diferentes realidades econômicas de grandes e pequenos agricultores.

Conclusão e próximos passos

O Banco do Brasil, consultado sobre o assunto, optou por não comentar mais sobre o inquérito. A situação revela um debate importante sobre as práticas de crédito rural e a proteção dos direitos dos produtores, que seguem sendo monitorados por órgãos reguladores e associações do setor. A defesa do banco poderá influenciar futuras decisões do Cade e a maneira como a legislação sobre crédito rural será aplicada.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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