Internações por anafilaxia crescem no Brasil, mas acesso à epinefrina autoinjetável é limitado

Internações por anafilaxia aumentaram mais de 100% no Brasil, enquanto canetas de adrenalina seguem indisponíveis.
Em São Paulo, no dia 2 de outubro de 2023, o aumento das internações por anafilaxia se tornou uma preocupação significativa, com dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) revelando que os episódios subiram mais de 100% nos últimos dez anos. Em 2024, o Brasil registrou 1.143 casos, um aumento de 107% em comparação a 2015. Para lidar com crises alérgicas graves, a caneta de adrenalina, um dispositivo vital que poderia salvar vidas, não está disponível no país.
Situação atual das canetas de adrenalina
As canetas autoinjetáveis de epinefrina, como EpiPen, Jext e Anapen, são consideradas padrão-ouro em emergências alérgicas no exterior. No entanto, no Brasil, pacientes precisam solicitar a importação, muitas vezes judicialmente, e pagar cerca de R$ 3.000 para ter acesso ao medicamento. Isso deixa muitos sem opções, já que a única alternativa é a administração da adrenalina em ambiente hospitalar, que não é prática em situações de emergência.
Impactos das reações alérgicas
As alergias estão em ascensão, influenciadas por mudanças no estilo de vida e nas condições climáticas. Especialistas, como a pediatra Fátima Rodrigues Fernandes, afirmam que o aumento nas internações pode ser atribuído tanto à maior conscientização sobre a anafilaxia quanto à evolução do conhecimento sobre o tema. Apesar disso, a falta de acessibilidade à caneta de adrenalina expõe os pacientes a riscos desnecessários de morte durante crises alérgicas.
Avanços e desafios
Recentemente, pesquisadores brasileiros anunciaram o desenvolvimento de um protótipo da primeira caneta de adrenalina nacional, mas ainda sem capacidade de produção em larga escala. A regulamentação dessa tecnologia é urgente, de acordo com a Asbai, que defende a necessidade de disponibilizar o dispositivo em escolas e locais públicos para prevenir mortes. Além disso, projetos de lei estão sendo discutidos no Congresso Nacional para facilitar o acesso à epinefrina autoinjetável a pacientes com risco comprovado de reações alérgicas graves.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








