Estudo aponta incremento significativo de óbitos entre os jovens, especialmente entre negros e pobres

Estudo destaca que mais pessoas estão morrendo nos EUA antes dos 65 anos, com desigualdade racial e econômica.
Aumento de mortes nos EUA antes dos 65 anos
Um estudo recente revela que mais pessoas estão morrendo nos EUA antes de completarem 65 anos, um dado alarmante que reflete desigualdades profundas no sistema de saúde americano. O levantamento, publicado na Jama Health Forum, analisou dados de mortes entre 2012 e 2022 e foi conduzido por Irene Papanicolas, professora da Universidade Brown. Durante esse período, a taxa de mortalidade entre pessoas de 18 a 64 anos aumentou em 27%, passando de 243 para 309 mortes por 100 mil habitantes.
Desigualdade racial e econômica impactam mortalidade
Os dados mostram que a população negra é desproporcionalmente afetada, com taxas de mortalidade de 427 mortes por 100 mil habitantes, comparadas a 316 entre brancos. Além disso, pessoas em situação de pobreza apresentam maior risco de morte antes dos 65 anos. O estudo destaca que a maioria dessas mortes ocorre antes que os indivíduos tenham acesso ao Medicare, o seguro de saúde federal dos EUA. Este cenário é exacerbado pela falta de uma rede de segurança social robusta, que deixa os mais vulneráveis sem apoio em momentos críticos.
Fatores sociais e estresse como contribuintes
Os pesquisadores também apontam que fatores sociais, como condições de vida precárias e estresse, têm um papel significativo na saúde e na longevidade. Thomas LaVeist, reitor da Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical da Universidade Tulane, explica que fatores como respirar ar poluído ou viver sob estresse crônico contribuem para a mortalidade precoce. Doenças crônicas, resultantes de estresse constante, estão eliminando mais anos de vida entre pessoas com menos de 65 anos do que overdoses, homicídios e acidentes de carro combinados.
Comparação com outros países de alta renda
Paradoxalmente, enquanto os EUA enfrentam um aumento nas mortes evitáveis, 34 outros países de alta renda estão reduzindo suas taxas de mortalidade por causas tratáveis. Isso levanta questões sobre as políticas de saúde pública e os cuidados médicos nos Estados Unidos, que são moldados por desigualdades sociais e econômicas. A pesquisa sugere que a saúde nos EUA está mais ligada a políticas e estruturas sociais do que à qualidade dos cuidados médicos disponíveis.
Considerações finais
Este estudo é um chamado à ação para que as autoridades de saúde dos EUA reavaliem suas políticas e abordagens em relação à saúde pública. O aumento de mortes entre aqueles que ainda não têm acesso ao Medicare ressalta a necessidade urgente de reformas que garantam cuidados de saúde acessíveis e equitativos para todos os cidadãos. À medida que o país enfrenta desafios econômicos e sociais, é crucial que se priorize a saúde da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: KAYLA BARTKOWSKI/AFP








