Declaração foi feita ao Cade durante processo de compra do banco Voiter

Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, afirmou ao Cade que sua participação era meramente minoritária.
Augusto Lima e sua declaração ao Cade
Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, fez uma declaração ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto, onde se posicionou como ‘mero acionista minoritário’ do Master, “sem quaisquer direitos de veto ou indicação de diretores”. Essa afirmação ocorreu no contexto de sua compra do controle do banco Voiter, que passou a se chamar Pleno.
A declaração de Lima foi uma resposta a um questionário enviado pelo Cade, que buscava entender se a transação implicava em concentração de mercado. Ele afirmou também que não participava de qualquer acordo de acionistas no Master e que a venda de sua participação não tinha relação com a compra do Voiter.
Contradições nas declarações
As declarações de Lima contrastam com uma decisão judicial que permitiu sua prisão. O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, afirmou que Lima e Vorcaro eram responsáveis pelas decisões do banco e pelas relações públicas, o que levanta questões sobre a veracidade de sua declaração ao Cade.
Os advogados de Lima afirmaram que todas as suas ações no Master foram autorizadas pelas autoridades competentes, mas não esclareceram o tamanho real de sua participação. A compra do Voiter também foi aprovada pelo Banco Central, segundo os defensores do empresário.
Investigação sobre operações fraudulentas
A prisão de Augusto Lima está ligada a investigações de operações fraudulentas associadas ao Banco Master. A Polícia Federal investiga se houve a criação de carteiras falsas de crédito consignado para servidores públicos, que teriam começado na Bahia e se expandido para outros estados. As investigações estão focadas nas operações envolvendo fundos de pensão de estados e municípios, que estão sendo analisadas há mais de dois anos.
Crescimento e queda da carteira de crédito consignado
Desde que Vorcaro assumiu o controle do Banco Master em 2019, houve uma explosão na carteira de crédito consignado, que cresceu significativamente. Em 2022, os empréstimos triplicaram, totalizando R$ 2,2 bilhões. No entanto, a demonstração financeira de 2023 mostrou uma queda de 64% nesse segmento, após a transferência de parte da carteira para um comprador não revelado.
Conclusão
As revelações sobre Augusto Lima e sua participação no Banco Master geram questionamentos sobre a governança e a transparência nas operações bancárias. A continuidade das investigações e o desdobramento das ações legais poderão trazer mais clareza sobre as práticas do banco e a real extensão da participação de Lima em suas decisões.
Fonte: www1.folha.uol.com.br








