Conflito gerado pela autorização da prefeitura para derrubada no Bosque dos Salesianos

Conflito entre moradores da Lapa e a construtora Tegra pela remoção de árvores para construção de prédios.
A remoção de árvores no Bosque dos Salesianos, localizado no Alto da Lapa, na zona oeste de São Paulo, causou um significativo atrito entre a construtora Tegra e os moradores da região. Este incidente ocorreu após a autorização da prefeitura para que a empresa cortasse 118 árvores em uma área destinada à construção de prédios residenciais, o que suscitou protestos e reações acaloradas, especialmente do prefeito Ricardo Nunes.
Na última quinta-feira (6), durante um evento em que o prefeito estava presente, um grupo de moradores se manifestou com cartazes que diziam “Assassinaram o Bosque” e “A Lapa está de luto”. Nunes, em resposta aos protestos, fez comentários considerados ofensivos, chamando um dos manifestantes de “babaca” e referindo-se aos protestos como ações de “baderneiros”. O clima ficou ainda mais tenso quando surgiram alegações de que o prefeito teria mostrado o dedo do meio aos manifestantes, o que foi desmentido pela Secretaria de Comunicação.
O terreno onde as árvores foram removidas era parte da Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo), que vendeu a área para a Tegra por aproximadamente R$ 95 milhões. A obra está respaldada por um alvará de construção e um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) emitido pela prefeitura, que inclui a compensação ambiental com o plantio de 1.799 mudas, conforme exigência legal. No entanto, moradores expressaram sua indignação, afirmando que a derrubada das árvores afetou significativamente a fauna e flora locais, incluindo espécies de pássaros e macacos.
Em protestos anteriores, cerca de 40 moradores se reuniram em frente ao terreno em questão, demonstrando sua insatisfação e batendo contra o portão de acesso à obra. Muitas pessoas relataram surpresa ao ver as árvores sendo derrubadas, questionando a decisão da prefeitura e a ética da construtora. “Mais do que uma relação com a comunidade, o bosque possui uma fauna e flora riquíssimas. É um dos poucos lugares de São Paulo que abriga essa diversidade”, afirmou a fotógrafa Sílvia Simões.
O Ministério Público de São Paulo também se envolveu na questão, ajuizando uma ação que pedia a paralisação das obras, baseando-se no argumento de que a área estaria protegida por um decreto de 1989 que proibia a supressão de árvores. No entanto, esse decreto foi revogado em 1994, permitindo ao município decidir sobre o corte de espécies nativas. A ação do MP foi julgada improcedente pelo juiz Kenichi Koyama, que afirmou que, embora a vegetação tenha valor ambiental, a legislação permite intervenções, desde que respeitados critérios administrativos.
A Tegra defendeu sua posição informando que o projeto é regular e possui todas as autorizações necessárias, sustentando que cerca de 73% das árvores a serem removidas estão mortas, são invasoras ou exóticas, e que 66 exemplares nativos serão preservados. A empresa também se comprometeu a realizar um investimento superior a R$ 1 milhão em compensações ambientais e revitalização de praças na área.
A polêmica em torno da remoção de árvores evidencia a tensão entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental, um tema cada vez mais relevante nas grandes cidades brasileiras. A luta dos moradores da Lapa reflete uma preocupação com a perda de espaços verdes em meio à urbanização acelerada, destacando a necessidade de um equilíbrio entre progresso e sustentabilidade.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








