Pesquisadores mapeiam tipos de células e suas funções

Cientistas concluíram um esboço do atlas do cérebro em desenvolvimento, mapeando tipos celulares e suas funções, o que pode ajudar no entendimento de condições como autismo e esquizofrenia.
Cientistas alcançaram um marco em uma iniciativa para mapear como os diversos tipos de células cerebrais surgem e amadurecem desde os estágios embrionários até a idade adulta. O resultado desse trabalho pode levar ao surgimento de novas formas de abordar certas condições, como autismo e esquizofrenia. Os pesquisadores fizeram um primeiro esboço dos atlas do cérebro humano em desenvolvimento e do cérebro de mamíferos em desenvolvimento. Os achados foram detalhados nesta quarta-feira (5) em uma coleção de estudos publicados na revista Nature.
Mapeamento das células cerebrais
A pesquisa concentrou-se em células cerebrais humanas e de camundongos, com trabalhos adicionais focando em células cerebrais de macacos. No esboço inicial, mapeou-se o desenvolvimento de diferentes tipos de células cerebrais, rastreando como nascem, diferenciam-se e amadurecem em vários tipos com funções únicas. Além disso, foi possível acompanhar como os genes são ativados ou desativados nessas células ao longo do tempo. Os pesquisadores identificaram genes-chave que controlam processos cerebrais e descobriram semelhanças no desenvolvimento das células cerebrais entre cérebros humanos e de outros animais, assim como aspectos únicos do cérebro humano, incluindo a identificação de tipos celulares anteriormente desconhecidos.
Implicações do estudo
A pesquisa faz parte da Rede de Atlas Celular da Iniciativa Brain (Bican), dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, uma colaboração científica internacional para criar um atlas abrangente do cérebro humano. A neurocientista Hongkui Zeng, diretora de ciência cerebral no Instituto Allen em Seattle, destaca a importância do trabalho: “Nosso cérebro possui milhares de tipos de células com extraordinária diversidade em suas propriedades e funções celulares, e esses diversos tipos celulares trabalham juntos para gerar uma variedade de comportamentos, emoções e cognição”.
Avanços e desafios futuros
Os pesquisadores encontraram mais de 5.000 tipos de células no cérebro de camundongos, acreditando que essa quantidade se repita no cérebro humano. A neurocientista Aparna Bhaduri, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, ressalta que o cérebro em desenvolvimento é uma estrutura incrivelmente enigmática e que, graças a este atlas, agora temos uma compreensão muito mais detalhada das partes do cérebro em desenvolvimento. O estudo promete importantes aplicações práticas, incluindo terapias genéticas e celulares mais precisas para diversas doenças humanas, como autismo e esquizofrenia.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








