Nicolas Calabrese, deportado após missão à Gaza, narra experiências traumáticas

Nicolas Calabrese, primeiro brasileiro deportado por Israel, relata abusos durante detenção.
Na noite de segunda-feira (6), Nicolas Calabrese, o primeiro brasileiro deportado por Israel, desembarcou no Rio de Janeiro após ser detido enquanto tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Emocionado, ele foi recebido por manifestantes que apoiam a causa palestina e relatou os abusos que sofreu sob a custódia israelense.
Calabrese, integrante da flotilha Global Sumud, contou que o pior momento ocorreu quando mais de 15 soldados da Marinha israelense invadiram o navio onde ele estava, apontando fuzis para os ativistas. “Estavam armados até os dentes e encapuzados ao melhor estilo dos terroristas”, afirmou. Após a detenção, os ativistas foram levados a um porto em Israel, onde Calabrese relatou ter sido constantemente violentado, além de ficar 20 horas sem poder urinar e sem informações sobre sua localização.
Detalhes da detenção e deportação
O ativista, que também possui cidadania italiana, destacou que sua deportação foi mais rápida que a de seus colegas devido à intervenção do consulado da Itália. Ele criticou o governo brasileiro por não ter prestado informações às famílias dos outros detidos. Alguns deles, incluindo outros brasileiros, ainda permanecem em prisão em Ktzi’ot, no deserto de Negev, se recusando a aceitar os termos de deportação impostos por Israel, uma posição que consideram uma questão de princípios em defesa da luta palestina.
A recepção no Brasil e a situação dos detidos
Calabrese foi recebido por cerca de 40 manifestantes no aeroporto, entre eles o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ). Ele expressou sua preocupação com a situação de seus colegas ainda detidos e pediu uma atuação mais efetiva do governo brasileiro, afirmando que apenas publicar declarações não é suficiente. “Precisa uma comitiva da diplomacia lá em Israel”, disse.
A flotilha Global Sumud partiu de Barcelona em 31 de agosto, com 45 embarcações e aproximadamente 400 ativistas de diversas nacionalidades. Os barcos começaram a ser interceptados no dia 1º de setembro. Além de Thiago Ávila, outros ativistas e políticos brasileiros ainda estão presos e aguardam a intervenção das autoridades brasileiras.








