Ameaças de líder guerrilheiro colocam eleições na Colômbia em risco


Ivan Mordisco reivindica que bombardeios do governo são uma 'declaração de guerra' e pode impactar pleito de 2026

Ameaças de líder guerrilheiro colocam eleições na Colômbia em risco
Ivan Mordisco, líder guerrilheiro, em vídeo recente. Foto: AFP

Ivan Mordisco, líder guerrilheiro, ameaça influenciar eleições após bombardeios do governo colombiano.

Ameaças de Iván Mordisco e o impacto nas eleições na Colômbia

Em um contexto tenso para as eleições de 2026 na Colômbia, o líder guerrilheiro Iván Mordisco fez uma declaração alarmante em um vídeo divulgado nesta terça-feira (18). Ele ameaçou que os recentes bombardeios ordenados pelo presidente Gustavo Petro contra sua dissidência das Farc seriam uma ‘declaração de guerra’. A ofensiva militar deixou um saldo trágico, incluindo a morte de ao menos 15 menores de idade, supostamente recrutados à força.

Mordisco, cuja localização atual é incerta, acredita que a resposta do governo pode prejudicar o processo eleitoral. “Quisemos que o processo eleitoral de 2026 tivesse o menor número de choques possível, mas diante do avanço de setores belicistas, não nos resta mais do que assumir uma posição em defesa dos territórios”, afirmou ele, cercado por homens armados em sua aparição.

O contexto da ofensiva militar

As operações militares intensificadas por Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história colombiana, surgem em meio a pressões internacionais, especialmente dos Estados Unidos, para combater o narcotráfico. A estratégia de Petro visa desmantelar grupos armados que se financiam com o tráfico de cocaína, mas a abordagem tem gerado críticas, especialmente após a revelação das mortes de menores em bombardeios.

Reconhecendo a gravidade da situação, o próprio presidente e autoridades locais admitiram as fatalidades, o que resultou em um escândalo político. A oposição pede a renúncia do ministro da Defesa, alegando que as ações do governo são uma ‘complacência com gringos sedentos de sangue de crianças colombianas’, segundo as palavras de Mordisco.

As consequências para a política colombiana

Mordisco não faz parte do histórico acordo de paz de 2016 entre o governo e as Farc e, desde então, tem se tornado um dos maiores desafios para a administração de Petro. A política de paz total do presidente enfrenta obstáculos significativos, com Mordisco e outros grupos guerrilheiros desafiando abertamente o governo. Em resposta à pressão militar, o líder guerrilheiro tem ordenado atentados que resultaram em várias mortes de soldados, policiais e civis.

A violência política já se faz sentir, como evidenciado pelo assassinato do senador opositor Miguel Uribe, que foi alvo de um ataque enquanto participava de um evento de campanha em agosto. Petro atribui o assassinato a alianças entre narcotraficantes e guerrilheiros, enfatizando a complexidade dos desafios que sua administração enfrenta.

Expectativas para as eleições de 2026

Com as eleições de 2026 se aproximando, a ameaça de Mordisco adiciona uma camada de incerteza ao cenário político colombiano. A população está apreensiva, considerando que a segurança e a estabilidade do país estão em jogo. As ações de Mordisco e a resposta do governo continuarão a moldar o clima político nos próximos meses. Neste contexto conturbado, a realização de um pleito democrático em paz parece um desafio cada vez mais distante.

A situação na Colômbia exige atenção e vigilância, pois a luta entre forças armadas e grupos guerrilheiros pode ter consequências duradouras para a democracia e os direitos humanos no país.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP


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