Alunos utilizam nova avaliação para retaliar professores em SP


Sistema de avaliação da gestão Tarcísio gera polêmica e descontentamento entre educadores

Alunos utilizam nova avaliação para retaliar professores em SP
Trecho de postagem em que aluno dá nota baixa para professor em avaliação. Foto: Reprodução TikTok

Sistema de avaliação gera polêmica, com alunos utilizando notas para ameaçar docentes.

Introdução à nova avaliação na rede estadual de SP

A avaliação criada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) permite que alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio atribuam notas aos seus professores. Essa iniciativa, lançada em maio de 2025 pelo secretário de Educação, Renato Feder, visa incorporar a opinião dos alunos no processo de avaliação docente. No entanto, a aplicação deste sistema gerou polêmica e descontentamento entre os educadores, que relatam ameaças e represálias.

O uso da avaliação como ferramenta de vingança

Recentemente, vídeos nas redes sociais mostraram alunos debochando ao dar notas baixas a professores. Um estudante gravou sua tela enquanto atribuía nota zero a todos os docentes, afirmando que se tratava de uma forma de vingança. Essa situação levanta sérias preocupações sobre o ambiente escolar e a relação entre alunos e professores. Além disso, a Secretaria de Educação não se manifestou sobre o uso da avaliação para ameaçar os educadores.

Consequências para professores e as diretrizes da avaliação

De acordo com a nova resolução, as notas recebidas pelos professores comporão uma “avaliação de desempenho diagnóstica” que pode influenciar a permanência do docente na escola ou em programas específicos. Professores relatam que essa medida gera um clima de insegurança, pois os alunos podem retaliá-los com notas baixas, especialmente em situações onde se sentem corrigidos ou repreendidos.

Uma professora de português, com 20 anos de experiência, expressou sua preocupação ao afirmar que se sente desrespeitada e desamparada, temendo represálias por parte dos alunos. Ela mencionou que alunos ameaçaram dar notas ruins após serem advertidos por uso de celular em sala de aula.

Falta de transparência nas avaliações

Os professores também relatam que não têm acesso às perguntas que os alunos respondem na avaliação. Segundo a resolução, o questionário contém 11 dimensões que avaliam competências como domínio do conteúdo, uso de metodologias dinâmicas e gestão de sala de aula. A falta de transparência gera desconfiança entre os educadores, que se sentem desprotegidos e sem autonomia.

O que especialistas dizem sobre o impacto da avaliação

Márcia Jacomini, professora da Unifesp, critica a forma como a avaliação foi implementada. Segundo ela, a falta de diálogo com os alunos sobre os critérios de avaliação pode levar ao desvirtuamento do seu significado. Ela argumenta que os alunos devem ser ouvidos, mas não através de notas, e sim por meio de um processo de escuta e diálogo.

Ela alerta que essa situação pode incentivar os alunos a pensarem que têm o poder de ameaçar os professores com retribuições negativas, criando um ambiente hostil e prejudicial ao aprendizado.

Conclusão

A nova avaliação criada pela gestão Tarcísio de Freitas levanta questões importantes sobre a relação entre estudantes e professores, além da eficácia e ética de um sistema que permite que alunos avaliem seus educadores. A falta de proteção e autonomia dos docentes, aliada ao uso da avaliação como forma de vingança, pode ter consequências graves para a dinâmica educacional e para o processo de ensino-aprendizagem. O futuro da educação em São Paulo depende de uma revisão cuidadosa deste sistema de avaliação e de uma maior proteção para os profissionais da educação.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reprodução TikTok


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