O especialista discute como a percepção sobre a depressão mudou e seu impacto no tratamento

Philip Gold discute a crescente aceitação da depressão como uma doença biológica, ressaltando sua importância no tratamento e diagnóstico.
A evolução da percepção sobre a depressão
A depressão como doença biológica ganha cada vez mais aceitação, conforme afirmações do psiquiatra Philip William Gold, um dos principais especialistas em transtornos depressivos. Em uma entrevista, Gold analisa como a visão sobre a depressão mudou ao longo dos anos e como isso pode impactar o tratamento.
A mudança de paradigma
Gold, que atua nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) desde 1974, acredita que a aceitação da depressão como uma doença de origem biológica, e não apenas uma falha de adaptação, reflete um progresso significativo. Ele observa que essa mudança de perspectiva permite que mais pessoas reconheçam seus sintomas e busquem ajuda. O psiquiatra acredita que a maior conscientização sobre a doença pode explicar o aumento no número de diagnósticos, mais do que a ideia de que vivemos em tempos mais estressantes.
Fatores que contribuem para a depressão
O especialista ressalta que a depressão é uma resposta fisiológica a desregulações provocadas pelo estresse, afetando não apenas o cérebro, mas todos os tecidos e células do corpo. Gold destaca que o tratamento adequado ainda não está acessível a todos, especialmente os mais desfavorecidos. Ele enfatiza que a falta de suporte pode perpetuar o sofrimento de muitos que lutam contra o transtorno.
Experiências pessoais e profissionais
Gold compartilha sua própria vivência com a depressão, que começou na infância, quando seu irmão ficou gravemente doente. Essa experiência, somada a traumas e estresses ao longo da vida, moldou sua compreensão sobre a doença. Ele argumenta que experiências traumáticas na infância podem ser fatores de risco para o desenvolvimento de depressão na vida adulta.
A interseção entre genética e meio ambiente
Compreender a depressão envolve também olhar para a genética. Gold menciona que, embora não haja uma “sentença” genética para a doença, os genes desempenham um papel na predisposição. Estudos sobre genes como o CRH e o BDNF são vistos como promissores para futuros tratamentos. O CRH está relacionado à resposta ao estresse, enquanto o BDNF é crucial para a saúde dos neurônios.
Novas abordagens no tratamento
O psiquiatra também se mostra otimista com as novas abordagens de tratamento, como o uso de psicodélicos, que podem ter um impacto significativo na depressão quando administrados de forma controlada. Além disso, a pesquisa sobre a cetamina, com efeitos quase imediatos, é um marco importante, embora apresente riscos. Gold acredita que estamos entrando em uma nova era de compreensão da depressão, onde novos alvos para tratamentos eficazes estão sendo identificados.
Conclusão
A discussão sobre a aceitação da depressão como uma doença de causas biológicas é fundamental para desestigmatizar o transtorno e facilitar o acesso a tratamentos adequados. Philip Gold, através de sua pesquisa e experiências, contribui para uma visão mais clara e acessível sobre a depressão, promovendo um diálogo necessário na sociedade atual.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: O psiquiatra Philip William Gold








