Entenda como a cetamina se destaca na saúde mental e sua ausência nas listas de doping

A cetamina é usada por atletas para lidar com a dor, mas ainda não está na lista de doping. Entenda o porquê.
A cetamina no esporte: uma substância controversa
A cetamina, também chamada de ketamina, tem ganhado destaque entre atletas, que a utilizam para aliviar a dor sem infringir as regras de doping, já que a substância ainda não está na lista oficial da Agência Mundial Antidoping (WADA). O uso da cetamina em doses menores que as usadas em cirurgias promove uma alteração na consciência, com efeitos antidepressivos, sendo indicada por profissionais de saúde mental para tratar condições severas, como ideação suicida.
Uso off-label e a regulamentação
Esse uso “off-label” permite que médicos prescrevam a cetamina fora dos padrões habituais, o que é legal, inclusive no Brasil. Segundo um estudo publicado na revista Performance Enhancement and Health, a cetamina pode auxiliar atletas na recuperação e na gestão da dor associada a treinamentos intensos. Além disso, outros compostos psicodélicos, como a psilocibina, têm mostrado potencial para melhorar a resiliência e o humor dos atletas.
O crescimento do uso de psicodélicos
Os pesquisadores alertam que o aumento do uso de psicodélicos no esporte precisa ser acompanhado de mais estudos acerca dos efeitos a longo prazo. A WADA já incluiu substâncias como o tramadol em sua lista, e a cetamina pode ser a próxima a ser revisada. A popularização da psilocibina, especialmente após a regulamentação em estados dos EUA, tem gerado um aumento no consumo, muitas vezes fora de ambientes controlados, o que pode acarretar riscos à saúde.
Riscos associados e a necessidade de pesquisa
Um estudo da revista Jama Psychiatry revelou que mais de 7 milhões de pessoas entre 19 e 50 anos relataram o uso de cogumelos com psilocibina nos últimos anos, evidenciando a crescente aceitação e utilização dessas substâncias. No entanto, a variação nas dosagens e a associação com outras drogas, como a cannabis, podem aumentar o risco de efeitos adversos. A falta de regulamentação adequada e de pesquisas robustas sobre os impactos a longo prazo desses compostos é uma preocupação crescente entre profissionais de saúde.
A microdosagem e seus efeitos
Além disso, a prática da microdosagem, que envolve o uso de doses subclínicas de psicodélicos para melhorar o humor e a cognição, também está em ascensão. Um estudo da Universidade de Auckland demonstrou que microdoses de LSD podem reduzir significativamente os sintomas de depressão, mas a eficácia e a segurança dessa prática ainda carecem de mais investigação.
Futuro dos psicodélicos na saúde e no esporte
Por fim, a discussão sobre o uso de psicodélicos na medicina e no esporte está apenas começando. Há uma necessidade urgente de compreender melhor os efeitos dessas substâncias para garantir que seu uso seja seguro e benéfico. Enquanto isso, a cetamina permanece no limbo entre a medicina e o esporte, gerando debates sobre sua potencial inclusão nas listas de doping e as implicações éticas de seu uso por atletas. O futuro do uso de psicodélicos, incluindo a cetamina, na saúde mental e no desempenho esportivo promete ser um campo fértil para pesquisa e debate.
Fonte: www1.folha.uol.com.br








