A racionalidade econômica do crime


Análise da relação entre juventude e criminalidade nas favelas do Rio

A racionalidade econômica do crime
Foto: Cecilia Machado

Estudo revela a complexa relação entre a juventude e o crime nas favelas cariocas, destacando a mortalidade precoce e a especialização no tráfico.

Em 8 de outubro de 2023, no Rio de Janeiro, a análise da criminalidade nas favelas revela uma estrutura econômica organizada que atrai muitos jovens para o tráfico. O caso de Hércules Célio Lima, que começou aos 18 anos e foi uma das vítimas de uma operação policial, ilustra a realidade de jovens que entram nesse mundo perigoso. O estudo de 230 moradores de favelas que trabalham no tráfico mostra que as funções variam de olheiros a gerentes, indicando uma hierarquia bem definida.

Ingresso precoce no crime

Com mais da metade dos jovens ingressando entre 13 e 15 anos, o salário médio no tráfico é 23% superior ao de outros jovens da favela. Contudo, o alto risco de mortalidade é um fator alarmante, com 20% dos entrevistados mortos em dois anos. Além disso, aqueles que progridem na hierarquia enfrentam uma mortalidade ainda maior. Este cenário levanta questões sobre os fatores que levam os jovens a escolher essa trajetória.

O impacto da educação e da exposição ao crime

Estudos indicam que a exposição a mercados ilegais molda as trajetórias dos jovens, a exemplo do que ocorreu no Peru, onde a alta demanda por coca levou a um aumento na participação infantil nas plantações. A evasão escolar entre essas crianças cresceu 26%, e na vida adulta, a probabilidade de encarceramento por crimes aumentou em 30%. Esse ‘capital humano criminoso’ se desenvolve a partir do aprendizado de ofícios e rotinas que perpetuam o crime.

Políticas públicas e alternativas

A morte de Hércules não é apenas uma tragédia isolada, mas um reflexo de um sistema que falha em oferecer oportunidades. Enquanto o mercado legal não proporciona alternativas viáveis, o crime se torna a única opção para muitos jovens. Políticas como o programa Juntos, que oferece transferência de renda condicionada à educação, mostram que é possível combater a criminalidade e oferecer um futuro melhor aos jovens.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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