A Queda do Céu: uma jornada pela experiência yanomami


Documentário baseado no livro de Davi Kopenawa e Bruce Albert é exibido em Cannes

A Queda do Céu: uma jornada pela experiência yanomami
Cena do documentário 'A Queda do Céu'. Foto: Leonardo Sanchez/Folhapress

O documentário 'A Queda do Céu' explora a cosmogonia yanomami e é uma adaptação da obra de Davi Kopenawa.

‘A Queda do Céu’ e sua importância cultural

O documentário ‘A Queda do Céu’, dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, foi exibido na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes em maio de 2024. A produção é baseada no livro homônimo de Davi Kopenawa e Bruce Albert, que se tornou um marco na literatura sobre os povos indígenas da Amazônia. A obra, lançada originalmente em 2010, é um testemunho da vivência do líder yanomami e uma denúncia da destruição da floresta amazônica.

A trajetória do livro à tela

O livro ‘A Queda do Céu’ é monumental, com mais de 700 páginas que abordam a cosmogonia yanomami e a interação entre os seres humanos e os espíritos da floresta. A decisão de adaptá-lo para o cinema surgiu há quase oito anos, quando Eryk Rocha, já estabelecido no meio documental, e a atriz Gabriela Carneiro da Cunha, que estreava na direção, iniciaram conversas com Kopenawa e a Hutukara Associação Yanomami. A colaboração foi essencial para a realização do filme, que busca capturar a essência dos rituais e da espiritualidade yanomami.

A cerimônia funerária Reahu

Um dos principais focos do documentário é a cerimônia funerária Reahu, que marca o adeus ao sogro de Kopenawa. Durante a produção, a equipe passou um mês e meio na comunidade Watorikɨ, em Roraima, acompanhando a rica tradição cultural dos yanomami. Através do uso do pó alucinógeno yãkoana, os xamãs realizam uma jornada espiritual em busca de contato com os “xapiri”, os espíritos da floresta. Essa experiência é apresentada de forma visceral e poética, permitindo ao espectador vislumbrar a profundidade da cultura indígena.

Desafios enfrentados pelos yanomami

A diretora Carneiro da Cunha aponta que o documentário também serve como um alerta sobre os problemas enfrentados pelos povos indígenas, como a invasão das terras yanomamis pelo garimpo ilegal e a contaminação dos recursos hídricos. Essa realidade é abordada com sensibilidade, mostrando a força e a beleza da cultura yanomami, mas também a tragédia que seus membros enfrentam diariamente.

Reflexões e convites à ação

Após a exibição em Belém, Kopenawa participou de um debate que provocou reflexões sobre a responsabilidade coletiva em relação à preservação das terras indígenas. O documentário se divide em três frentes: diagnóstico, alerta e convite, sendo um chamado à ação conjunta no combate a adversidades que afligem os povos indígenas. A mobilização dos povos indígenas nas ruas de Belém é um exemplo claro de como a luta pela preservação cultural e ambiental é uma prioridade.

Conclusão

‘A Queda do Céu’ não é apenas um filme, mas uma ferramenta de conscientização e um meio de amplificar as vozes yanomami. Assim como Kopenawa, os diretores buscam levar ao público mensagens profundas que a floresta sussurra. O documentário, além de sua relevância artística, é um convite para que todos ouçam e reflitam sobre o que está em jogo na luta pela sobrevivência dos povos indígenas e do meio ambiente.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Leonardo Sanchez/Folhapress


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