Como a facção controla a vida nas comunidades cariocas

Comando Vermelho impõe regras rígidas que afetam a vida de milhões no Rio. Moradores enfrentam controle sobre serviços e relacionamentos.
Em 2020, nenhum morador do Complexo da Penha, na zona norte do Rio, podia usar o uniforme do Chelsea, time de futebol da Inglaterra. Regras impostas pela facção Comando Vermelho (CV) regem a vida de milhões de pessoas nas comunidades que controla. Essas normas não se limitam apenas ao Rio, mas se estendem a outros estados do país.
Regras severas e controle total
O Comando Vermelho determina até como os moradores devem se comunicar. Por exemplo, dizer “a gente” é proibido, pois apenas os inimigos falam assim; nas áreas sob controle do CV, a expressão correta é “nóis”. As punições para quem desobedece as regras são severas, incluindo espancamentos e expulsões. O tráfico, que aprendeu com as milícias, não só controla a venda de drogas, mas também monopoliza serviços como gás e internet, cobrando preços exorbitantes.
Impactos das operações policiais
As operações policiais, como a realizada em 28 de outubro, onde mais de 2.500 policiais cercaram os complexos da Penha e do Alemão, resultaram em 121 mortes, incluindo quatro policiais, e são vistas como pouco eficazes para desarticular o CV. Moradores relatam que, apesar da operação, a rotina do tráfico não mudou; traficantes continuam armados e o controle sobre as comunidades permanece intacto. Essas intervenções policiais frequentemente resultam em pânico e em um aumento da violência.
A vida sob o domínio do tráfico
A presença do tráfico nas favelas é tão forte que os moradores têm medo de procurar ajuda fora da comunidade, e muitos problemas são resolvidos diretamente pelos traficantes. As crianças, especialmente, enfrentam riscos altos de aliciamento, enquanto as escolas estão frequentemente fechadas devido à violência nos arredores. Um estudo da Unicef destaca que 58,4% das escolas na capital fluminense estão localizadas em áreas dominadas por grupos armados.
Considerações finais
O Comando Vermelho continua a ser uma força dominante no Rio, estabelecendo um ambiente de medo e controle. A falta de presença do Estado, combinada com as regras severas do tráfico, perpetua um ciclo de violência e submissão nas comunidades. As autoridades precisam encontrar formas mais efetivas de abordar a situação, respeitando os direitos humanos e oferecendo alternativas viáveis para os moradores.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








