Pm do Piauí aplica punição leve a militares envolvidos em milícia em Cajueiro da Praia


Militares da Polícia Militar do Piauí receberam suspensão de 30 dias por participação em milícia armada que ameaçava comunidades tradicionais em Cajueiro da Praia

Pm do Piauí aplica punição leve a militares envolvidos em milícia em Cajueiro da Praia
Litoral de Cajueiro da Praia, local das ameaças e conflitos fundiários investigados pela PM do Piauí

Policiais militares do Piauí foram suspensos por 30 dias após atuarem em milícia armada que ameaçava comunidades na praia de Barra Grande, em Cajueiro da Praia.

Pm Piauí pune militares por formação de milícia em Cajueiro da Praia

A PM Piauí pune militares após investigação que revelou a atuação de policiais em milícia armada contra comunidades tradicionais em Cajueiro da Praia, litoral do Piauí, em 2024. Cinco militares receberam suspensão de 30 dias por prestarem serviços de segurança privada armada a posseiros envolvidos em conflitos fundiários na praia de Barra Grande. O comandante do grupamento local estava entre os punidos, evidenciando o envolvimento institucional na organização.

Processo disciplinar e encaminhamento ao Ministério Público e Justiça Federal

O processo administrativo disciplinar, aberto em março de 2024 pela Corregedoria-Geral da PM, identificou dois crimes principais: esbulho possessório qualificado, que consiste na privação violenta da posse, e a constituição de milícia privada. Após a conclusão, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Piauí para controle externo e possível denúncia criminal. Cópias também foram enviadas ao Ministério Público Federal para avaliação de crimes federais.

Conflito fundiário na praia de Barra Grande e impacto no turismo

O litoral de Cajueiro da Praia, especialmente a praia de Barra Grande, passou por intensos conflitos fundiários nos últimos anos, motivados pelo crescimento do turismo e pela valorização imobiliária devido ao kitesurf e outras atividades. Milícias armadas apoiavam posseiros e empresários em litígios para expulsar comunidades tradicionais, utilizando violência e intimidação. A movimentação afetou diretamente a segurança e a estabilidade local, causando apreensão entre moradores e turistas.

Evidências e participação dos policiais militares

A investigação reuniu diversas provas contra os militares, incluindo depoimentos de testemunhas, fotos, reconhecimentos e documentos. Destacou-se o uso de adesivos com o número pessoal do comandante do grupamento para “blindar” propriedades privadas, estratégia que indicava a coordenação e conivência do comando. Um relato também revelou que um sargento forneceu informação falsa sobre uma empresa de segurança para legitimar a milícia, demonstrando participação dolosa.

Consequências institucionais e desafios na apuração

Além da suspensão, o processo apontou que a conduta dos policiais gerou grave desprestígio à PM do Piauí. A atuação configurou uma organização estruturada, com divisão de tarefas e agenciamento de clientes em zona de conflito fundiário. A perda do Livro de Registros de Partes Diárias da PM em Cajueiro da Praia levantou suspeitas de obstrução. O Ministério Público devolveu o inquérito para diligências adicionais, e medidas cabíveis ainda estão em andamento para responsabilização criminal.

A punição aplicada, considerada branda por especialistas e pela sociedade civil, levanta debates sobre a efetividade do combate à milícia e a necessidade de reformas na fiscalização e na disciplina interna da Polícia Militar do Piauí para coibir práticas semelhantes futuras.

Fonte: noticias.uol.com.br


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