Setor de pneus enfrenta crise monumental após fechamento de planta da Michelin


Indústria nacional sofre com concorrência de produtos asiáticos e preocupa-se com futuro do mercado brasileiro

Setor de pneus enfrenta crise monumental após fechamento de planta da Michelin
Fábrica da Michelin em Guarulhos, que encerrou atividades em dezembro de 2025. Foto: B CHRISTOPHER/ALAMY

A crise do setor de pneus no Brasil se aprofunda com fechamento da planta da Michelin e aumento das importações asiáticas.

A crise do setor de pneus no Brasil e o impacto do fechamento da planta Michelin

A crise do setor de pneus no Brasil se agravou substancialmente após o fechamento da planta da Michelin em Guarulhos (SP) em dezembro de 2025. Rodrigo Navarro, presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), afirma que essa situação representa uma “crise monumental” que ameaça investimentos e empregos no segmento, fundamental para o transporte rodoviário no país. O fechamento da fábrica sinaliza o impacto da competição desigual com produtos importados, especialmente da Ásia.

A crescente concorrência dos pneus asiáticos e seus efeitos no mercado nacional

A principal pressão para o setor vem da concorrência dos pneus fabricados em países asiáticos como China, Vietnã e Índia, que dominam 68% do mercado de reposição brasileiro, enquanto a produção nacional caiu para 32%. Esse desequilíbrio ocorreu após a Lei da Liberdade Econômica, que facilitou a entrada de produtos estrangeiros com preços inferiores, muitas vezes abaixo do custo da matéria-prima internacional, configurando uma prática de “dumping” segundo a Anip. Esse cenário ameaça a sustentabilidade da indústria nacional.

Consequências para a cadeia produtiva e o risco de desestruturação

A crise do setor de pneus não afeta apenas os fabricantes diretos, mas também coloca em risco fornecedores de borracha, aço, químicos e têxteis, que compõem a cadeia produtiva desse mercado. Navarro alerta para a possibilidade de desorganização da indústria, o que pode comprometer o futuro do transporte rodoviário, o modal predominante no Brasil. A retração da produção nacional, que caiu 5,8% em 2025 para 37,7 milhões de pneus fabricados, evidencia essa vulnerabilidade.

Medidas buscadas pela Anip para enfrentar a crise do setor de pneus

Diante da crise, a Anip está em diálogo com o governo para buscar soluções que criem mecanismos regulatórios capazes de equilibrar a competição no mercado brasileiro. O principal foco é estabelecer barreiras que evitem a entrada predatória de pneus importados, garantindo que os preços reflitam os custos reais de produção. A entidade defende que medidas são urgentes para evitar o fechamento de outras fábricas e preservar empregos no setor.

A importância estratégica do setor de pneus para o transporte rodoviário no Brasil

O setor de pneus é estratégico para o Brasil, onde o transporte rodoviário é o principal modal para circulação de mercadorias e pessoas. A crise atual, evidenciada pela redução da produção e o aumento das importações desleais, representa uma ameaça à infraestrutura logística do país. A manutenção de uma indústria nacional forte é fundamental para garantir o abastecimento e a segurança no transporte, além de preservar milhares de empregos diretos e indiretos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: B CHRISTOPHER/ALAMY


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