Zequinha transforma embalagens de balas em patrimônio cultural de Curitiba


Personagem criado na década de 1920 marcou a memória afetiva e social da cidade, agora preservado na Casa da Memória

Zequinha transforma embalagens de balas em patrimônio cultural de Curitiba
Ilustração de Zequinha, símbolo histórico de Curitiba

Zequinha, personagem das embalagens de balas, tornou-se patrimônio cultural de Curitiba e simboliza a transformação da cidade.

A trajetória de Zequinha patrimônio de Curitiba e sua origem comercial

Zequinha patrimônio de Curitiba tem origem entre 1928 e 1929, criado como estratégia comercial pela fábrica de doces A Brandina, dos irmãos Sobania. Surgiu numa Curitiba ainda sem asfalto, com bondes e carroças, população de cerca de 100 mil habitantes na região que hoje corresponde ao bairro CIC. O personagem, um palhacinho vestido com roupa azul e gravata borboleta vermelha, rapidamente se tornou um símbolo da cidade, refletindo tanto suas dinâmicas urbanas quanto aspectos sociais por quase um século.

O acervo e a evolução artística de Zequinha nas décadas

Ao longo dos anos, o personagem passou pelas mãos de três principais artistas: Alberto Thiele, responsável pelas primeiras 50 figurinhas produzidas na Impressora Paranaense; Paulo Carlos Rohrbach, que acrescentou 150 imagens na década de 1940; e Nilson Muller, que no final da década de 1970 repaginou Zequinha para uma campanha do Governo do Paraná. Cada fase artística trouxe nuances e transformações que acompanharam as mudanças culturais e tecnológicas da cidade, como o aparecimento do automóvel e a expansão do saneamento.

Zequinha como reflexo das transformações sociais e urbanas de Curitiba

As mais de 1.200 figurinhas do personagem revelam múltiplas profissões e situações cotidianas, de ferreiro a engenheiro, ao mesmo tempo em que espelham valores e contradições de suas épocas. Na década de 1980, a representação de estereótipos e atitudes hoje consideradas inadequadas foi reformulada. Zequinha passou a incorporar um olhar mais inclusivo e contemporâneo, acompanhando o avanço da cidade de um núcleo rural para uma metrópole moderna.

Pesquisa acadêmica e valorização do Zequinha patrimônio de Curitiba

A historiadora Camila Jansen utilizou as figurinhas do personagem em seu doutorado na Universidade Federal do Paraná, analisando os impactos da urbanização e modernização em Curitiba por meio das imagens. Seu estudo resultou no livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”, lançado em 2024 com apoio da Fundação Cultural de Curitiba. Essa pesquisa reforça a importância do personagem como uma memória viva e parte essencial da identidade local.

A preservação do acervo e o papel da Casa da Memória de Curitiba

O acervo com mais de 500 itens originais relacionados a Zequinha está preservado na Casa da Memória de Curitiba, centro de documentação da Fundação Cultural responsável por proteger o patrimônio histórico, artístico e cultural local. O material está disponível para consulta pública, inclusive digitalmente, fortalecendo o acesso da população ao seu passado. A família de Nilson Muller mantém viva a memória do personagem e planeja futuras curadorias para preservar seu legado.

Zequinha patrimônio de Curitiba não é apenas uma figurinha antiga, mas um símbolo que atravessa gerações, unindo memória afetiva e história cultural. Sua trajetória é intrinsecamente ligada à evolução da capital paranaense, refletindo as transformações urbanas e sociais que moldaram a cidade moderna.

Fonte: www.curitiba.pr.gov.br


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