EUA cancelam visto de esposa e filha do ministro Alexandre Padilha


Medida ocorre em meio a sanções relacionadas ao programa Mais Médicos; governo americano alega “inelegibilidade” após emissão

O governo dos Estados Unidos cancelou o visto de esposa e filha de Alexandre Padilha, ministro da Saúde. A informação foi publicada pelo G1 e confirmada por interlocutores do Palácio do Planalto e pessoas próximas ao ministro.

alexandre padilha
Foto: Igo Estrela/Metrópoles

A decisão foi comunicada na manhã desta sexta-feira (15/8) por meio de e-mail enviado pelo Consulado-Geral dos EUA em São Paulo. No documento, as autoridades americanas informam que, após a emissão, “surgiram informações indicando” que a esposa de Padilha e a filha, de 10 anos, não eram mais elegíveis para o benefício.

Contexto das sanções

A medida faz parte de um conjunto de ações do Departamento de Estado dos EUA contra funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e seus familiares. As sanções estão relacionadas ao programa Mais Médicos, em que, segundo as autoridades americanas, houve “cumplicidade com o esquema de exportação de mão de obra do regime cubano”.

Em nota assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, o governo norte-americano informou que as restrições de visto e revogações visam punir indivíduos que colaboraram ou se beneficiaram dessa prática.

Outros nomes citados

Entre os brasileiros mencionados na lista de sanções estão Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-coordenador-geral para a COP30, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e ex-diretor de Relações Externas da Opas.

A decisão contra a família de Padilha ocorre dias após o anúncio de outras medidas semelhantes contra autoridades brasileiras.

Escalonamento das medidas

As ações de Rubio têm sido divulgadas de forma escalonada. O primeiro alvo anunciado foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que teve seu visto revogado em 18 de julho. Duas semanas depois, Moraes foi incluído na Lei Magnitsky — legislação americana que prevê sanções a violadores de direitos humanos.

Fontes do governo brasileiro indicam que outros ministros do STF, como Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes, também teriam tido vistos suspensos, embora não haja confirmação oficial por parte das autoridades americanas.

Possíveis novos alvos

A lista completa de atingidos pelas medidas ainda não foi divulgada. Segundo analistas, a divulgação fracionada das sanções pode ter o objetivo de manter pressão política contínua sobre as autoridades brasileiras e internacionais ligadas ao caso.

No contexto diplomático, a medida reforça o uso de sanções como instrumento de política externa dos EUA, especialmente em questões envolvendo direitos humanos e regimes aliados a governos considerados autoritários por Washington.

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