Especialistas alertam para riscos de impulsionamento pago em críticas no TSE


Proposta do TSE que permite impulsionamento pago de críticas a governos antes da campanha pode desequilibrar eleições, dizem advogados e especialistas

Especialistas alertam para riscos de impulsionamento pago em críticas no TSE
Tribunal Superior Eleitoral discute regras para impulsionamento pago de críticas nas redes sociais Foto: Divulgação TSE

Especialistas apontam que a proposta do TSE para permitir impulsionamento pago de críticas a governos pode gerar desequilíbrio nas eleições.

Impulsionamento pago de críticas no TSE: contexto e proposta

A proposta em análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para permitir o impulsionamento pago de críticas a governos em redes sociais antes do período oficial de campanha tem provocado debates intensos entre especialistas. O texto, apresentado pelo vice-presidente Kassio Nunes Marques, sugere que postagens críticas sem elementos ligados diretamente à disputa eleitoral não seriam tratadas como propaganda antecipada negativa, mesmo que pagas para impulsionamento. A discussão se dá em um momento crucial, já que as resoluções que regerão as eleições de 2026 devem ser definidas até 5 de março.

Riscos de desequilíbrio eleitoral segundo especialistas em direito digital

Especialistas ouvidos pela investigação jornalística alertam para os riscos da medida. André Boselli, da ONG Artigo 19, destaca que embora a liberdade de expressão para criticar a administração pública seja garantida, o uso do impulsionamento pago pode causar desequilíbrio eleitoral ao ampliar artificialmente o alcance dessas críticas. Camila Tsuzuki, do InternetLab, recomenda a retirada do dispositivo para evitar financiamentos indiretos de campanhas por terceiros, preservando a igualdade de condições entre os candidatos e minimizando interferências externas no debate público.

Reações institucionais e preocupações com campanhas de desinformação

A Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) e o Ministério Público de São Paulo manifestaram preocupação com a proposta. Em audiência pública, o promotor Jaime Meira do Nascimento Jr. ressaltou que o dispositivo poderia facilitar a influência do poder econômico sob a justificativa da liberdade de expressão. A PGE enfatizou que as regras atuais funcionam como barreira contra campanhas de desinformação e ataques institucionais, citando casos investigados relacionados ao Banco Central. Essas instituições defendem a manutenção das vedações para impulsionamento pago de conteúdos que possam desequilibrar a disputa eleitoral.

Divergências sobre a legislação vigente e o alcance do impulsionamento

Há diferentes interpretações sobre as regras atuais. A advogada eleitoralista Carla Nicolini afirma que o impulsionamento pago durante a pré-campanha é permitido apenas para partidos políticos ou candidatos, e que pessoas físicas não podem financiar a ampliação do alcance de críticas. Por outro lado, o advogado Francisco Almeida Prado entende que, na ausência de conteúdo eleitoral explícito, o impulsionamento de críticas já seria possível. O advogado Hélio Freitas da Silveira sugere que o regramento vigente seja mantido e que casos de abuso sejam decididos judicialmente, evitando mudanças que possam incentivar práticas questionáveis.

Debate político e perspectivas para as eleições de 2026

O tema foi amplamente debatido em audiências públicas promovidas pelo TSE, com participação de partidos e entidades. O PT e o governo Lula criticaram a proposta, enquanto o PL defendeu o dispositivo, alegando que ele fortalece a liberdade de crítica e reduz riscos de censura na pré-campanha. O presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP, Ricardo Vita Porto, expressou oposição, ressaltando que abrir margem para pessoas não candidatas financiarem conteúdo eleitoral pode gerar desequilíbrio no pleito, considerando os limites legais de gastos de campanha.

A regulamentação atual e os limites para impulsionamento na pré-campanha

Atualmente, o impulsionamento pago de conteúdo político-eleitoral só é permitido durante a pré-campanha se contratado por partido ou candidato, sem pedidos explícitos de voto, com gastos moderados, proporcionais e transparentes. Além disso, é proibido o uso do impulsionamento para propaganda negativa. A definição legal de conteúdo político-eleitoral abrange temas relacionados a eleições, partidos, candidatos e propostas de governo. Para cidadãos comuns, a propaganda eleitoral em redes sociais é permitida desde que não haja contratação de impulsionamento, preservando a liberdade de expressão sem desequilíbrios financeiros.

Considerações finais sobre o impacto da proposta para o processo eleitoral

A proposta do TSE sobre o impulsionamento pago de críticas representa um desafio para o equilíbrio e a transparência das eleições brasileiras. Se aprovada, pode abrir espaço para que interesses econômicos influenciem o debate político de forma desproporcional, dificultando o controle sobre o financiamento indireto de campanhas. Especialistas e órgãos de fiscalização recomendam cautela e a preservação das regras vigentes para evitar que a liberdade de expressão seja usada como ferramenta para desequilíbrio eleitoral e disseminação de desinformação.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Divulgação TSE


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