Conflito territorial entre o Comando Vermelho e milícias no Rio de Janeiro


Estudo revela expansão do Comando Vermelho e aumento da violência nas favelas

Conflito territorial entre o Comando Vermelho e milícias no Rio de Janeiro
Conflitos entre grupos armados no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Geni/UFF e Instituto Fogo Cruzado

Estudo revela que o Comando Vermelho avança em áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro.

O avanço do Comando Vermelho nas favelas do Rio de Janeiro

Em um cenário de crescente violência, o Comando Vermelho tem ampliado sua influência em áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro, atingindo cerca de 1,79 milhão de habitantes em 2024. Essa informação é parte de um estudo recente, o Mapa Histórico dos Grupos Armados, que revela que aproximadamente 4 milhões de pessoas vivem sob a influência de grupos criminosos na região metropolitana.

Contexto da presença criminosa

Os dados mostram que as milícias ainda detêm a maior parte do território, controlando 74% da área dominada por grupos armados. Entretanto, a expansão do Comando Vermelho ocorre em um momento em que as milícias enfrentam uma queda em seu controle territorial. A pesquisa, realizada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado, destaca que os conflitos estão aumentando em áreas já dominadas, resultando em consequências sérias para a população local.

A dinâmica das disputas territoriais

De acordo com a gerente de pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, Terine Husek Coelho, a natureza da conquista territorial entre os grupos armados tem se tornado mais violenta. A pesquisa revela que, de 2016 a 2020, houve um crescimento dos grupos armados, particularmente das milícias, que se aproveitaram da falta de controle em determinadas áreas. No entanto, a atual disputa por territórios escassos entre o Comando Vermelho e as milícias está intensificando os tiroteios e a violência.

A relação entre economia e crime

O estudo também aponta que a estrutura econômica das milícias está intimamente ligada ao desenvolvimento urbano, especialmente com o crescimento do setor imobiliário durante eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Daniel Hirata, coordenador do Geni/UFF, explica que a combinação de crise econômica e a derrocada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) facilitou o crescimento das milícias, mas a recente mudança de cenário favorece a expansão do Comando Vermelho.

A necessidade de estratégias diferenciadas

Para enfrentar a complexa situação dos grupos armados, é essencial entender as dinâmicas de controle e influência nas áreas afetadas. A pesquisa sugere que intervenções devem ser diferenciadas, levando em consideração as especificidades de cada território, uma vez que não existem soluções rápidas para a crise de segurança no Rio de Janeiro. O estudo também delineia que, enquanto as milícias têm perdido território, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro (TCP) estão se movimentando para conquistar novas áreas, especialmente na zona oeste e na Baixada Fluminense.

Conclusão

A disputa pela hegemonia territorial entre o Comando Vermelho e as milícias está em um ponto crítico, com um aumento significativo nas confrontações e uma população vulnerável no meio da violência. A necessidade de uma abordagem estratégica e de longo prazo se torna evidente à medida que o Rio de Janeiro enfrenta esses desafios complexos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Divulgação/Geni/UFF e Instituto Fogo Cruzado


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