Receita Federal revela esquema complexo envolvendo offshores e fraudadores

Grupo Fit utilizou 50 fundos de investimento para ocultar bilhões de reais em sonegação, segundo a Receita Federal.
Grupo Fit e a sonegação bilionária
No dia 27 de novembro de 2025, a Receita Federal revelou que o Grupo Fit utilizou 50 fundos de investimento para ocultar bilhões de reais em sonegação fiscal. O esquema, que superou em quase três vezes o número inicialmente identificado, está ligado à refinaria de Manguinhos, controlada pelo empresário Ricardo Magro, que até o momento não se manifestou sobre as acusações. Em uma entrevista realizada em setembro, Magro já havia negado qualquer envolvimento em fraudes fiscais.
Estrutura complexa de ocultação
De acordo com Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, essa operação é emblemática, pois revela um dos maiores devedores contumazes do Brasil. O grupo é acusado de operar um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ocultação de valores, movimentando mais de R$ 70 bilhões em um único ano. As investigações mostraram que o Grupo Fit utilizava mais de 15 offshores nos Estados Unidos para facilitar esse esquema.
A Receita Federal inicialmente havia identificado 17 fundos de investimento relacionados ao grupo, mas durante as diligências foi constatado que a quantidade era muito maior, chegando a cerca de 50 fundos. Esses fundos, em sua maioria, eram fechados e tinham um único cotista, geralmente outro fundo, o que dificultava o rastreamento dos beneficiários finais.
Ação da Receita Federal
Para combater essa prática, no dia 31 de outubro, a Receita Federal publicou uma portaria exigindo que todos os fundos de investimento identificassem os CPFs dos cotistas finais, com o objetivo de aumentar a transparência e prevenir fraudes. O promotor de justiça Alexandre Castilho, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira-SP), descreveu a estrutura do Grupo Fit como “assustadora” devido à sua grandiosidade e ao fato de operar sem grandes problemas no Brasil.
Irregularidades na cadeia de combustíveis
As autoridades afirmam que o Grupo Fit operava de maneira semelhante a uma organização criminosa, com irregularidades que abrangiam todos os níveis da cadeia de combustíveis. As fraudes aduaneiras eram uma prática comum, onde a empresa falsificava a declaração de importações, como gasolina, para pagar menos tributos. Além dos fundos de investimento, o grupo utilizava holdings, offshores e instituições de pagamento para movimentar o dinheiro.
Mobilização das autoridades
A operação mobilizou 621 agentes públicos em 190 alvos em seis estados e no Distrito Federal. Através de medidas cautelares na Justiça, mais de R$ 10,2 bilhões em bens dos envolvidos já foram bloqueados. As investigações ainda estão em andamento, e as autoridades continuam a apurar a possível colaboração de administradoras e gestoras que podem ter omitido informações do Fisco.
A situação é um alerta para a necessidade de um sistema mais robusto de fiscalização e transparência no setor financeiro, especialmente em relação a práticas que podem prejudicar a economia nacional e a arrecadação de impostos. As autoridades seguem vigilantes na luta contra a sonegação fiscal que, segundo estimativas, poderia custar ao Brasil bilhões em receitas que poderiam ser investidas em serviços essenciais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação Receita Federal








