Golpe em Guiné-Bissau: general assume liderança interina após deposição do presidente


Militares fecham fronteiras e suspendem processo eleitoral após interrupção da votação

Golpe em Guiné-Bissau: general assume liderança interina após deposição do presidente
General Horta N'Tam assume liderança interina após golpe. Foto: Patrick Meinhardt /AFP

Militares de Guiné-Bissau empossam general como chefe interino após golpe de Estado que depôs o presidente.

Na manhã desta quinta-feira (27), os militares da Guiné-Bissau anunciaram a nomeação do general Horta N’Tam como presidente interino, um dia após um golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral no país. O general, até então chefe do Estado-Maior do Exército, fez o juramento no quartel-general das Forças Armadas e declarou que o país enfrenta um momento crítico, exigindo ações urgentes.

A nomeação foi anunciada por um grupo autodenominado “Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem” durante uma coletiva de imprensa em Bissau. Na quarta-feira (26), a junta militar havia deposto o presidente Umaro Sissoco Embaló e suspendido a votação, além de fechar as fronteiras e impor um toque de recolher. Essa ruptura democrática ocorreu momentos antes da divulgação dos resultados de uma eleição presidencial contestada, onde tanto Embaló quanto seu opositor, Fernando Dias, reivindicavam a vitória.

Na noite de quarta, os sons de tiros foram ouvidos perto de locais estratégicos, como a sede da comissão eleitoral e o palácio presidencial. O tiroteio durou aproximadamente uma hora, mas não há informações sobre vítimas. Embaló, em contato com veículos franceses, afirmou que havia sido deposto; seu paradeiro permanece desconhecido, e a junta não confirmou se ele está sob custódia.

O presidente da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, e líderes da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) condenaram o golpe, pedindo a libertação imediata de Embaló e dos funcionários detidos. Observadores eleitorais da união também relataram que membros do processo eleitoral foram presos e exigiram sua libertação.

A situação é tensa, com relatos de que o ex-presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, que acompanhava a votação como parte de uma missão de observação, estava incomunicável. Edwin Snowe, senador da Libéria e membro da missão, também relatou dificuldades em contatar colegas que permaneceram no país.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou a suspensão das eleições e apelou para que as forças políticas do país retomem o diálogo pacífico, ressaltando a importância do restabelecimento da ordem constitucional. A coalizão que apoia Fernando Dias exigiu a divulgação dos resultados da votação do último domingo (23) e pediu a libertação do ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, que foi detido.

Em meio a essa crise, a Guiné-Bissau, um pequeno país da África Ocidental conhecido por seu papel no tráfico de drogas, já enfrentou múltiplos golpes desde sua independência, em 1974. O cenário atual reafirma a instabilidade política que permeia a história recente do país, onde a interferência militar na política continua a ser uma preocupação central para o futuro democrático da nação.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Patrick Meinhardt /AFP


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