Brasil lidera ranking de supersalários com gasto de R$ 20 bilhões


Estudo revela que os altos salários no funcionalismo público brasileiro superam os de outros países

Brasil lidera ranking de supersalários com gasto de R$ 20 bilhões
Prédio do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília; carreiras do Judiciário são as mais beneficiadas por supersalários. — Foto: Prédio do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília; carreiras do Judiciário são as mais beneficiadas por supersalários, segundo estudo

O Brasil apresenta os maiores gastos com supersalários no funcionalismo, totalizando R$ 20 bilhões, de acordo com um novo estudo.

Brasil em primeiro lugar no ranking de supersalários

O Brasil se destaca como o país que mais gasta com supersalários no funcionalismo público, totalizando R$ 20 bilhões por ano. Este dado foi revelado por um estudo realizado pelo Movimento Pessoas à Frente e pela República.org, que analisou a elite do serviço público brasileiro em comparação a outros dez países, incluindo Alemanha, Argentina e Estados Unidos.

Comparação internacional dos gastos com supersalários

O estudo mostrou que o Brasil possui 53,5 mil servidores ativos e inativos recebendo salários acima do teto constitucional, que é de R$ 46.366,19. Em comparação, a Argentina, que ocupa o segundo lugar no ranking, gasta 21 vezes menos, com 27 mil servidores nessa condição. Os gastos brasileiros equivalem a aproximadamente US$ 8 bilhões em PPC (paridade de poder de compra).

Na sequência, os Estados Unidos aparecem com mais de 4.000 servidores recebendo acima do teto, enquanto nenhum outro país da pesquisa registrou mais de 2.000. A Alemanha, por sua vez, não apresenta casos de supersalários, o que evidencia a discrepância nos gastos do Brasil.

Setores mais afetados pelos supersalários

Os supersalários no Brasil são predominantemente pagos na magistratura e no Ministério Público, além de carreiras como advogados da União e procuradores federais. Os dados analisados referem-se ao período entre agosto de 2024 e julho de 2025. Dentro desse contexto, cerca de 11 mil juízes receberam remunerações que ultrapassam os US$ 400 mil, superando os salários pagos em outros países.

O impacto das remunerações excessivas

A pesquisa foi realizada para subsidiar discussões sobre propostas de restrição aos chamados “penduricalhos”, que são verbas extras que permitem aos servidores furar o teto salarial. Apesar do apoio popular a essa proposta, a reforma administrativa que a inclui perdeu força no Congresso devido a crises políticas. Uma pesquisa Datafolha revelou que 83% da população desaprova os supersalários.

Consequências para o funcionalismo público

As altas remunerações no Brasil não apenas criam um ambiente de desigualdade, mas também reduzem a capacidade de investimento em áreas essenciais. Especialistas afirmam que os gastos excessivos comprometem a sustentabilidade do serviço público e afastam o Brasil de padrões observados em países desenvolvidos. A diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, Jessika Moreira, destacou que a comparação com outros países evidencia uma anomalia que deve ser corrigida.

Considerações finais

A situação atual dos supersalários no Brasil levanta questões sobre a responsabilidade e a transparência na gestão de recursos públicos. O estudo conclui que uma reforma que regule melhor os salários é essencial para garantir que o serviço público funcione de maneira justa e eficiente, alinhando-se a práticas internacionais que buscam eliminar distorções salariais. A expectativa é que os dados apresentados incentivem uma reflexão crítica e a adoção de medidas efetivas para resolver esse problema estrutural.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Prédio do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília


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