Galípolo defende acordo do BC com Campos Neto sobre falhas no Santander


O presidente do Banco Central comentou sobre o termo de compromisso firmado após irregularidades em operações de câmbio

Galípolo defende acordo do BC com Campos Neto sobre falhas no Santander
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Foto: AFP

Gabriel Galípolo defendeu o acordo de R$ 300 mil com Campos Neto, ressaltando que não impede investigações.

A defesa de Galípolo sobre o acordo com Campos Neto

Na última terça-feira (25), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o acordo de R$ 300 mil estabelecido entre a autarquia e Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, em um contexto de falhas de controle no Santander. Galípolo enfatizou que o termo de compromisso não se trata de um acordo de leniência e não obstrui investigações em andamento.

O acordo foi firmado em junho de 2023 e se refere a problemas detectados nas operações de câmbio do Santander durante o período em que Campos Neto era funcionário da instituição. O valor acordado, segundo Galípolo, é um mecanismo de responsabilidade e não implica em reconhecimento de infrações.

Contexto das falhas e responsabilidades

Segundo informações, o termo assinado por Campos Neto refere-se a “supostas práticas” que incluíam a falta de verificação da legalidade das operações de câmbio e a não certificação da qualificação de clientes do Santander. O banco, por sua vez, admitiu as falhas e pagou uma quantia significativa para regularizar a situação.

O Santander afirmou que o acordo não implica reconhecimento de infrações, mas sim um compromisso de reforçar seus processos e sistemas de conformidade. Essas medidas são vistas como preventivas, visando evitar a repetição de tais falhas no futuro.

Implicações legais e administrativas

O instrumento utilizado para formalizar esse acordo, criado pelo BC em 2017, é um contrato administrativo que não implica em julgamento sobre a culpa de qualquer instituição financeira ou de seus representantes. Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central, destacou que já foram assinados mais de 120 termos de compromisso, porém este foi o primeiro a envolver um ex-presidente da instituição.

Santos também reafirmou que a infração cometida por Campos Neto não foi considerada grave, e se houvesse indícios de crimes como lavagem de dinheiro, o BC teria que informar o Ministério Público, o que não ocorreu neste caso.

Reflexão sobre a governança do banco

Galípolo, durante sua fala, fez questão de ressaltar que todo o processo de decisão para o acordo foi seguido de forma rigorosa, cumprindo todas as normas de governança da instituição. Além disso, chamou a atenção para a importância de se manter a confiança nas operações realizadas pelo BC e nas instituições financeiras do país.

Esse caso levanta questões sobre a transparência e a responsabilidade das instituições financeiras, especialmente em relação a ex-altos executivos que ocupam cargos de destaque em outras instituições após suas passagens pelo setor público. A discussão continua em torno das práticas do Santander e das medidas adotadas para assegurar a conformidade com as normas éticas e legais no setor financeiro.

Conclusão

O acordo entre o Banco Central e Campos Neto é um exemplo de como as instituições financeiras lidam com falhas em suas operações. A defesa feita por Galípolo ressalta a necessidade de uma abordagem clara e responsável em relação a acordos de compromisso, sem que isso signifique a perda de accountability ou a obstrução de investigações. O futuro das práticas de compliance no Santander e em outras instituições continua sendo uma preocupação importante para o BC e para a sociedade.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP


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