Mãe de criança autista conquista na Justiça direito de manipular canabidiol


Decisão judicial anula resolução da Anvisa que limita farmácias de manipulação

Mãe de criança autista conquista na Justiça direito de manipular canabidiol
Mãe conquista direito de manipular canabidiol. Foto: Arquivo pessoal

Myrcieli Marconatto obteve autorização para manipular canabidiol em farmácia após decisão judicial.

A mãe de um menino autista, Myrcieli Marconatto, recebeu uma decisão favorável da Justiça Federal que permite que sua farmácia de manipulação produza canabidiol. A decisão, proferida pela 4ª Vara Federal de São José do Rio Preto (SP) em outubro, anulou os efeitos da resolução 327/2019 da Anvisa, que restringia a manipulação de produtos à base de Cannabis apenas a farmácias não manipuladoras. Essa vitória é um marco na luta por igualdade no acesso a tratamentos com canabidiol, especialmente para crianças com necessidades especiais.

A decisão do juiz Vinicius Dalazoana destacou que a norma da Anvisa carece de justificativas técnicas e infringe o princípio da igualdade, ao criar uma distinção sem fundamentos entre drogarias e farmácias de manipulação. O advogado de Myrcieli, Marco Feitosa, ressaltou que essa decisão reforça outras vitórias obtidas por farmácias de manipulação, caracterizando a ilegalidade da proibição imposta pela Anvisa.

A história de Myrcieli e Heitor

Myrcieli, mãe de Heitor, um menino de 9 anos com síndrome de Down e autismo, começou a buscar o canabidiol antes mesmo de obter uma prescrição médica. Ao observar comportamentos repetitivos e sinais de autismo em Heitor, ela decidiu importar o medicamento do exterior, enfrentando um processo burocrático e dispendioso. A sua entrada no mundo do canabidiol começou devido à incerteza e dificuldades em obter o diagnóstico formal para seu filho, o que dificultava a prescrição médica.

Os desafios se intensificaram durante a pandemia, quando Heitor apresentou uma regressão nas suas habilidades cognitivas e de fala. Essa fase crítica foi marcada pela ausência de terapia e pelo luto da perda do pai, o que tornou a situação ainda mais complexa. Após a confirmação do diagnóstico de TEA (transtorno do espectro autista), Heitor finalmente obteve a prescrição do canabidiol por um neuropsiquiatra.

Impactos do canabidiol no tratamento de Heitor

Desde o início do tratamento com canabidiol, Myrcieli notou uma redução significativa na hipersensibilidade de Heitor, que antes se mostrava extremamente incomodado com barulhos e ambientes agitados. Essa mudança permitiu que ele interagisse melhor com os colegas e participasse de atividades escolares, como rodas de música e festas de aniversário. A transformação no comportamento de Heitor é um testemunho do potencial terapêutico do canabidiol no manejo de sintomas autistas.

Desafios enfrentados por Myrcieli

Apesar da vitória judicial, Myrcieli menciona que a luta por acesso ao canabidiol não é fácil. Ela enfrentou várias barreiras, desde a falta de prescrição médica até a complexidade do processo de importação. Sua experiência é compartilhada por muitas mães e pais que buscam alternativas medicinais para seus filhos com necessidades especiais. A decisão judicial representa não apenas uma vitória pessoal, mas também um passo importante na luta por direitos iguais no acesso a tratamentos médicos para todos.

Conclusão

A conquista de Myrcieli Marconatto na Justiça é um marco significativo na discussão sobre o uso de canabidiol no Brasil. A decisão não só desafia normas que limitam o acesso a tratamentos, mas também oferece esperança para outras famílias que enfrentam desafios semelhantes. Essa vitória é um lembrete da importância de lutar por igualdade e acesso à saúde, especialmente para aqueles que mais precisam.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal


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